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Correio da Manhã

Portugal

GAY, NOBRE E PAI

"Não tenho razões de queixa do trabalho que vi. É um homem que depois de ter cinco filhos fez uma opção sexual". A opinião é do conselheiro Fischer Sá Nogueira que já trabalhou de perto com o juiz do Tribunal da Relação de Lisboa que apresentou um comprovativo da sua homossexualidade junto do Conselho Superior da Magistratura.
27 de Julho de 2003 às 00:00
Um juiz entendeu provar a sua homossexualidade junto do Supremo
Um juiz entendeu provar a sua homossexualidade junto do Supremo FOTO: Direitos Reservados
A notícia, ontem avançada pelo semanário 'Expresso', refere que o desembargador viu preterida a sua candidatura a uma promoção no Supremo Tribunal de Justiça. Para este concurso, o juiz decidiu apresentar dois documentos que considerou importantes: um afirmando que vive em união de facto com um homem e outro certificando a sua nobreza. Um gesto que agradou a António Serzedelo, presidente da Opus Gay.
"É um nobre que realiza um acto de nobreza", referiu em declarações ao CM, acrescentando que existem "dezenas de juízes homossexuais", embora não saiba precisar quantos.
"Não são muitos, mas alguns haverá", referiu o conselheiro Fischer Sá Nogueira que não se lembra de ter havido "uma assumpção tão pública como esta". De resto, o conselheiro só vê na publicitação desta candidatura uma razão: "É natural que tenha ficado no fundo da escala" do concurso para o Supremo. Segundo as suas palavras, nos processos de candidatura, o Conselho Superior da Magistratura tem em conta a classificação e os trabalhos líricos ou de carácter literário. "As outras coisas não têm qualquer relevo", referiu.
Segundo o semanário 'Expresso', o conselho terá discutido a possibilidade de devolver os documentos para não ficarem em arquivo.
MENTALIDADES
Há 50 anos um delegado interino foi convidado a sair da Magistratura portuguesa por ter sido descoberta a sua tendência homossexual.
Desde então, as mentalidades, não só do sector judicial, mas de toda a comunidade, têm vindo a mudar gradualmente.
A mais surpreendente no ramo da Magistratura ocorreu em Itália no início dos anos 80.
Uma decisão do Conselho Superior da Magistratura italiano, demasiado arrojada para a altura, dava conta de que já não havia motivo para processar disciplinarmente um juiz que passasse a viver com a mulher de um colega. Outros tempos.
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