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Correio da Manhã

Portugal
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Gays apelam a Cavaco

A associação Ilga Portugal pediu ao Presidente da República, Cavaco Silva, a fiscalização preventiva da constitucionalidade do decreto que regula as técnicas de procriação medicamente assistida (PMA), por considerar o documento discriminatório.
25 de Junho de 2006 às 00:00
Enquanto uns aproveitaram para lembrar a transexual Gisberta, morta em Fevereiro, outros mostravam-se mais descontraídos
Enquanto uns aproveitaram para lembrar a transexual Gisberta, morta em Fevereiro, outros mostravam-se mais descontraídos FOTO: João Relvas, Lusa
De acordo com Paulo Côrte-Real, da Ilga, “trata-se de uma nova forma de discriminação”. “Como o Presidente representa todos os portugueses, sejam eles homossexuais ou não, fizemos o pedido. Se a infertilidade é uma doença que precisa de uma resposta do Serviço Nacional de Saúde, então o acesso a esse Serviço deverá ser universal”, afirmou Côrte-Real, durante a 7.ª Marcha Nacional do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgénero (LGBT), realizada ontem em Lisboa sob o lema ‘Igualdade na Lei e na Sociedade’. As reivindicações das associações LGBT – casamento entre pessoas do mesmo sexo e adopção – são assuntos polémicos e não reúnem consenso na sociedade portuguesa. Algumas pessoas que aproveitavam a tarde para passear na Avenida de Liberdade foram surpreendidas pela marcha. “Isto é uma fantochada. É a degradação da sociedade. Até sou uma pessoa aberta, mas isto passa todos os limites”, referiu Filipe Fonseca, de 77 anos, que discorda do casamento e, principalmente, da adopção por homossexuais: “Isso nunca! Coitadas das crianças...”
Opinião bem diferente tem Oliveira, de 56 anos, também reformado. “Não concordo com o casamento porque é uma instituição que tem como finalidade a procriação. Mas acho bem que tenham os mesmos direitos legais de um casal”, disse, considerando positiva a adopção: “Há tanta criança sem carinho. Numa primeira fase, o casal devia ser acompanhado por uma assistente social ou uma psicóloga para acompanhar o processo. Acho até que seria positivo.”
UM OLHAR DIFERENTE
Tal como em ‘I Will Survive’, música de Gloria Gaynor adoptada pela comunidade gay mundial, Marc e Jerome primeiro tiveram medo, depois ficaram petrificados e, por fim, concluíram que Portugal é muito diferente da Alemanha. O casal norte-americano, a morar em Berlim, veio visitar um amigo e aproveitou para participar na parada gay.
“Esta marcha é mais política do que uma festa. Em Berlim participam quase um milhão de pessoas”, afirma Marc, juntando-se à caminhada. Jerome esperava mais música e animação: “Lá temos cerca de 100 carros alegóricos, música alta, milhares de pessoas, homossexuais e hetero a dançar.”
Desapontados, mas solidários com as reivindicações lusas, Marc e Jerome apostavam tudo no Arraial Pride, realizado à noite na Praça da Figueira.
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