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Correio da Manhã

Portugal
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GÉMEAS SONHAM COM CURSO

Andreia e Oriana, gémeas de 16 anos da aldeia de Mafómedes, perto do Porto, frequentam o 11.º ano graças à intervenção directa do Presidente da República, em 1998. Sampaio soube que as duas irmãs iam deixar de estudar por falta de meios económicos e lançou um apelo em favor das miúdas. O pedido de ajuda teve eco imediato e elas puderam continuar na escola.
5 de Maio de 2004 às 00:00
Oriana está na área Científico-Natural, enquanto Andreia optou por Humanidades. Estudam na Escola EB2/3 de Baião – concelho a que pertence Mafómedes – e são alunas bem sucedidas. Oriana distingue-se pelos 19 a Filosofia e Geografia e vários 18 a outras disciplinas. Andreia segue-lhe as pisadas: 18 a Filosofia e Português e valores aproximados em outras matérias.
ALUNAS BRILHANTES
A excelente carreira escolar é enaltecida por Hélder Lemos, do Conselho Executivo da escola: “Tendo em conta a sua condição social, com muitas privações, considero-as boas alunas, assíduas e bem comportadas. Este ano não faltaram uma vez às aulas, apesar de viverem a alguns quilómetros de distância, numa aldeia com fracos acessos”.
O Presidente da República soube em Janeiro de 1998 do drama das gémeas. Estava então em curso uma visita no âmbito da primeira ‘Semana da Educação’ e Sampaio tomou conhecimento que as miúdas, então com dez anos, estavam fora da escola por dificuldades económicas e de transporte. Não foi fácil à comitiva presidencial chegar a Mafómede, mesmo em veículos todo-o-terreno. Também o então ministro da Educação, Marçal Grilo, e técnicos da Segurança Social prometeram ajuda aos pais de Oriana e Andreia.
Na ocasião, a mãe, Maria Fernanda, explicou emocionada que as garotas gostariam de continuar a estudar: “Somos pobres. As minhas filhas só poderão ir para outra escola se tiverem ajuda e transportes”.
A presidente da Câmara de Baião, Emília Silva, sensibilizada, assegurou-lhes o transporte até ao 9.º ano. Depois disso, as despesas passaram a ser custeadas pela autarquia e pela Fundação Horácio Roque.
SONHOS DE ADOLESCÊNCIA
As agora adolescentes aconselham os colegas a nunca abandonar a escola, mesmo que para isso passem por alguns sacrifícios. Elas têm muitos projectos, só concretizáveis, segundo dizem, com apoios. Andreia gostava de ser advogada: “É uma profissão que me seduz e tem muito a ver com a minha maneira de ser. Estou sempre atenta a tudo o que diga respeito à Justiça e não perco as notícias sobre os casos mais polémicos”. Para Oriana, o sonho é Medicina, mas diz que “a enfermagem pode ser uma hipótese”.
Jorge Sampaio nunca perdeu o contacto com as jovens e telefona-lhes frequentemente para saber das suas necessidades. Pode ser que volte a dar-lhes uma ajuda e a Medicina e o Direito fiquem mais perto.
NOVAS SAÍDAS PROFISSIONAIS
O Ministério da Educação pretende abrir, já no próximo ano lectivo, cursos profissionais em escolas públicas. O anúncio foi feito hoje, em Coimbra, pela directora regional do Centro, Maria de Lurdes Cró, durante a sessão de apresentação da campanha de informação escolar e profissional 2003/2004 ‘Percursos no Secundário’. A responsável adiantou que os primeiros cursos a leccionar abrangerão as áreas da Mecânica e Química, visando responder às principais necessidades do mercado de trabalho.
De acordo com Maria de Lurdes Cró, já se realizaram reuniões com escolas secundárias da região e uma segunda ronda de encontros vai decorrer na próxima semana, tendo vários estabelecimentos mostrado interesse em abrir estes cursos profissionais.
“As escolas terão de fazer uma parceria com uma empresa, onde parte do curso será orientado por um supervisor e haverá também aulas teórico-práticas”, explicou a directora regional, adiantando que estes cursos profissionais terão um figurino diferente dos de índole tecnológica.
Ao apresentar a campanha ‘Percursos no Secundário’, Maria de Lurdes Cró anunciou a realização, durante este mês e o próximo, de uma feira de formação vocacional em cada distrito da região Centro, onde será apresentada aos alunos, famílias e escolas a oferta formativa pós-Ensino Básico, com informação sobre as profissões.
PRESIDENTE CRITICA EXPERIMENTALISMO NO ENSINO
“Nos tempos actuais, não há tarefa mais urgente do que a educação”. Tal como há seis anos, na última ‘Semana da Educação’, este foi o mote utilizado ontem, na Amadora, pelo presidente da República, para iniciar a segunda iniciativa do género. Durante o discurso de inauguração da campanha, Sampaio apelou a um investimento constante na educação e criticou o experimentalismo excessivo de sucessivos governos na área.
A primeira paragem da visita deu-se na escola básica Artur Bual, na Falagueira, um estabelecimento modelo nos métodos pedagógicos usados na formação para a cidadania dos alunos. Depois de assistir a um Conselho de Turma do segundo ano, o Presidente discursou, aproveitando para deixar recados ao Governo. “Portugal necessita de investir nesta área, e muito, não durante um, dois ou três anos, mas de forma continuada e persistente”. Sampaio alertou para o perigo de um permanente experimentalismo governamental “pautado por reformas legislativas que se contradizem” e recusou ideia da transformação da escola num mero serviço, até porque “o ensino público deve distinguir-se por elevados níveis de qualidade”.
À saída da escola da Falagueira, Jorge Sampaio tinha à sua espera um grupo de trabalhadores da Bombardier, a quem cumprimentou e prometeu uma reunião.
Já na escola da Boba, esboçou um sorriso quando uma aluna moldava lhe perguntou por que Portugal tem tropas no Iraque. O Presidente da República lá acabou por adiantar que espera que em Junho o contigente da GNR seja substituído por outro tipo de força.
Hoje, visita Idanha-a-Nova e Castelo Branco, onde debaterá as causas do abandono escolar. Irá referir os casos bem sucedidos das gémeas Andreia e Oriana?
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