Exército decidiu não instaurar qualquer processo de averiguações.
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O Exército analisou a posição manifestada publicamente pelo comandante das Forças Terrestres sobre a decisão do Governo de terminar a missão no Kosovo e decidiu não instaurar qualquer processo de averiguações, disse à Lusa o porta-voz do ramo.
Questionado pela Lusa, o porta-voz do Exército, Vicente Pereira, disse que "o assunto foi analisado" pelo chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, e que "se entendeu não existir violação dos deveres militares".
O tenente-coronel Vicente Pereira sublinhou que os militares têm direito à opinião pessoal e que o comandante das Forças Terrestres "cumpriu a ordem" da tutela para iniciar a retração das forças no Kosovo.
"O general responde diretamente perante o CEME (Chefe do Estado-Maior do Exército). Teceu uma opinião pessoal, que não é a posição do Comandante das Forças Terrestres. Foi averiguado e o Exército entendeu não haver violação dos deveres ou motivo para um processo", disse.
No domingo passado, o general António Faria de Menezes considerou, num comentário na página na rede social Facebook do 'site' especializado em Defesa, Forças Armadas e Segurança, "Operacional", que a "decisão política" de pôr fim à missão das forças portuguesas no Kosovo teve pouca ou nenhuma discussão mediática ou em sede parlamentar.
António Faria Menezes, comandante das Forças Terrestres, acrescentou que essa decisão "coloca o Exército fora das operações NATO" e que terá "sequelas conforme parecer militar, mais uma vez registado e não seguido".
Questionado pelos jornalistas, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, considerou na segunda-feira que "está demonstrado, como aliás se vê, que um general no ativo +(mais) rede social não costuma dar bom resultado".
"Estamos a falar de alguém que, a meu ver menos bem, exprimiu a sua opinião entretanto aliás corrigida na mesma rede social", disse.
Azeredo Lopes justificou que se se recusasse a comentar o caso "estaria a tratar quem exprimiu a sua opinião como se fosse alguém inimputável e ele não é inimputável".
Um dia antes destas afirmações do ministro da Defesa, o general Faria de Menezes publicou na sua página pessoal na mesma rede social que na qualidade de Comandante das Forças Terrestres está "totalmente empenhado na retração impecável" do contingente português no Kosovo "cumprindo uma decisão legítima do Estado".
A retração da força portuguesa na missão da NATO no Kosovo iniciou-se no passado dia 29, após 18 anos naquele teatro de operações, na sequência de uma decisão anunciada em outubro passado.
Na altura, a decisão foi justificada com as "condições estratégicas e operacionais que se alteraram, nomeadamente as condições de segurança e estabilidade no território, francamente mais favoráveis ao normal desenvolvimento do Kosovo", segundo o ministro.
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