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Correio da Manhã

Portugal
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Genéricos são os mais caros da Europa

Os medicamentos genéricos portugueses são os mais caros da Europa, disse ontem o presidente do Instituto do Medicamento (Infarmed), Vasco Maria, durante a apresentação de uma campanha de divulgação destes remédios. Isto significa que Portugal é o único país europeu onde a percentagem de dinheiro gasto na compra de genéricos supera a percentagem de embalagens vendidas.
19 de Julho de 2007 às 00:00
Vasco Maria diz que o problema começou logo aquando da entrada no mercado
Vasco Maria diz que o problema começou logo aquando da entrada no mercado FOTO: Vasco Varela
“Há quem apresente várias explicações para esta situação, mas a mais plausível é que os preços dos genéricos em Portugal são os mais elevados”, afirmou Vasco Maria, contrariando os que justificam esta realidade com o facto de o mercado ser insipiente, estando ainda numa fase inicial: “Esses argumentos não são válidos quando existem países, como a Espanha ou a Irlanda, com mercados mais insipientes do que o nosso e isto não se verifica.”
Para o presidente do Infarmed, a situação é o resultado da estratégia desenhada aquando da abertura do mercado aos medicamentos genéricos, que previa preços mais elevados: “Este mecanismo estimulou o mercado, mas chegou o momento de o corrigir. Utilizar o preço mais caro de um genérico como referência é algo que tem de ser visto.”
Desde 2001, a implementação dos genéricos tem vindo a aumentar. Em 2006 foram vendidas cerca de 25 milhões de embalagens, enquanto em 2003 o valor não chegava aos dez milhões. “Existem dois grupos de países: os abaixo dos 20 por cento, onde Portugal está incluído, e os acima dos 40 em termos de quantidades”, referiu Vasco Maria, explicando a situação actual do mercado português: “Desde o início do ano estamos nos 17 por cento em termos de valor, mas apenas 11 por cento em quantidades. Para chegar aos 40 por cento de quantidade, há um longo caminho. Para já queremos 20 por cento até 2008.”
Para inverter a situação, o presidente do Infarmed apontou uma série de medidas. “Passa por medidas legislativas, como as que foram recentemente implementadas em Maio. Ainda não estão a surtir grande efeito, uma vez que leva o seu tempo. Mas há outros mecanismos, como a promoção da entrada de genéricos noutras áreas e não uma concentração excessiva em áreas onde os preços são elevados”, sublinhou.
A indústria farmacêutica também terá um papel importante na redução dos preços. “Há que criar estímulos para a indústria diversificar os genéricos e criar barreiras à entrada de genéricos em áreas já está saturadas. Não faz sentido existir um 35.º genérico para mesma área. Temos de promover a entrada da indústria onde não há genéricos”, diz Vasco Maria.
CAMPANHA MANTÉM-SE
O Infarmed iniciou ontem a campanha publicitária para promoção dos genéricos, apesar da providência cautelar interposta pela Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma). De acordo com Vasco Maria, o Infarmed aguarda a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, depois de ter respondido à providência na segunda-feira passada: “Consideramos existirem questões de interesse público que ficarão prejudicadas se a providencia avançar.” O Infarmed esclareceu ainda que a acção “é relativa à abertura de um concurso internacional para informação através da comunicação social”. Na primeira fase da campanha serão distribuídos nas unidades de saúde cerca de 1,7 milhões de panfletos e seis mil cartazes com o lema ‘Medicamentos genéricos: pode confiar’. Ontem foi ainda anunciada a criação da figura do provedor do medicamento genérico, ocupada por Vítor Mendonça.
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