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Correio da Manhã

Portugal
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GNR ACUSADO POR AGREDIR MENORES

Um soldado da GNR de Brinches, concelho de Serpa, é suspeito de ter agredido dois menores à estalada no interior do posto daquela localidade e na presença de um outro militar. Os rapazes, de 13 e 14 anos, são acusados por aquele soldado de terem riscado a sua viatura particular.
19 de Junho de 2003 às 00:00
Um dos rapazes terá saído do posto de Brinches a sangrar do nariz
Um dos rapazes terá saído do posto de Brinches a sangrar do nariz FOTO: Alexandre M. Silva
Inconformadas com a suposta violência das agressões, as quais deixaram marcas num dos jovens - que chegou a casa ensanguentado do nariz -, as famílias formularam uma queixa contra o guarda e garantem que levarão o caso até ao fim se o alegado agressor não apresentar um pedido de desculpas.
As agressões terão ocorrido no final da noite do passado dia 3 de Junho. João Travessa, de 14 anos, e José Paixão, de 13, estavam com outro amigo junto ao parque infantil quando chegou o guarda, que nessa noite se encontrava de serviço.
O primeiro miúdo, na companhia da mãe, Cristina Travessa, contou ao nosso jornal a sua versão: "Quando chegou, acusou-nos de ter riscado o carro e levou-nos para o posto. Lá dentro deu-me umas estaladas na cara e fiquei a sangrar do nariz."
Segundo a mãe deste jovem, as agressões verificaram-se por o guarda querer, à força, saber quem lhe tinha riscado a viatura particular.
O outro queixoso, José Paixão, sofreu menos agressões, uma vez que fora recentemente submetido a uma cirurgia num olho, o que terá sido levado em conta pelo GNR.
EXIGIMOS DESCULPAS
As duas crianças asseguraram ao nosso jornal que quando foram agredidas o militar não estava sozinho numa das salas do posto.
"Estava lá outro guarda sentado numa mesa. Viu tudo, mas não fez nada", lembrou o João.
Os progenitores deste rapaz só apresentaram, no entanto, a queixa contra o guarda dois dias depois das alegadas agressões.
"Não estava lá o cabo da GNR e era necessária a sua assinatura", referiu Cristina Travessa.
Esta mulher contou ainda ao Correio da Manhã que o elemento da GNR negou sempre as agressões. Aliás, o pai do João ainda pediu explicações naquela noite, mas o militar disse sempre "que não tinha batido" no seu nosso filho, acrescentou.
Contudo, Cristina Travessa salienta que este caso pode ter um desfecho diferente: "Bastaria um pedido de desculpas sincero do guarda, para ponderar retirar a queixa do tribunal."
O militar, residente também em Brinches, encontra-se em serviço. A GNR não quis prestar declarações, uma vez que o processo está a decorrer.
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