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Correio da Manhã

Portugal
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GNR ASSALTA ESTAÇÃO DE SERVIÇO

Um militar da Guarda Nacional Republicana do posto de Felgueiras tentou assaltar, na noite de quarta-feira, as bombas de gasolina da Shell, em Mirandela, utilizando para o efeito uma pistola de alarme que disparou por duas vezes na tentativa de obrigar o funcionário a dar-lhe o dinheiro.
8 de Novembro de 2002 às 00:00
A Direcção de Combate ao Banditismo da Polícia Judiciária (PJ) do Porto deteve-o ao final da tarde de ontem, em Felgueiras, quando se preparava para se apresentar ao serviço depois de ter gozado uns dias de folga, e transportou-o para as instalações da PSP em Mirandela, onde foi ouvido na presença do genro do responsável das bombas de gasolina, que presenciou a tentativa de assalto.

Os factos ocorreram cerca das 21h30, quando o militar, trajando à civil, chegou a pé às bombas de gasolina da Shell localizadas junto ao hipermercado Feira Nova e, de pistola em punho, disse ao funcionário, Vítor Rodrigues, um jovem de 20 anos, "que queria dinheiro".

Como o funcionário não se deixou amedrontar, os dois envolveram-se em confronto físico, ocasião em que o assaltante disparou um primeiro tiro para o ar, na tentativa de o amedrontar. O barulho do tiro e os confrontos entre os dois intervenientes alertou o gestor das duas gasolineiras, que se encontrava na bomba localizada na faixa do outro lado da via circular e que acorreu em socorro do funcionário.

"Estava no bar da bomba quando me apercebi que algo de estranho se estava a passar. Ainda não tinha chegado ao separador que divide as faixas de rodagem e ouvi o primeiro tiro, quando comecei a gritar, no sentido de amedrontar o agressor, que ao aperceber-se que do outro lado da estrada vinha alguém disparou um segundo tiro, para o ar, e pôs-se em fuga”, disse Francisco Ferreira, o genro do proprietário da gasolineira.

A Polícia de Segurança Pública de Mirandela chegou ao local poucos minutos depois – o posto fica a curta distância –, mas já não conseguiu descobrir o assaltante nas redondezas.

O indivíduo é bastante conhecido dos responsáveis das bombas de gasolina. Francisco Ferreira esclareceu: “Várias vezes aqui meteu gasolina e, em algumas ocasiões, teve de fazer vales de débito, porque quando se apresentava para pagar, depois de ter abastecido, geralmente o cartão apresentava deficiências e não facultava o pagamento através do Multibanco".

Na posse da identificação do acusado, a PSP procurou-o em casa de familiares, que alegaram "não saber onde ele se encontrava, dado estar de folga, com paradeiro desconhecido". Foi procurado durante toda a noite pelos agentes, mas só foi detido ontem, perto das 17h00, no exterior do posto de Felgueiras, onde estava colocado em serviço desde há pouco mais de um mês, depois de ter percorrido vários postos no Sul do País.

Segundo o Comando-Geral da GNR, o militar em causa está a ser acompanhado “por tratamento psiquiátrico”, entrou para a Guarda em 1999 e “encontrava-se de férias”.

Ainda segundo a fonte oficial, “foi instaurado o respectivo processo disciplinar” e o militar “apresentou-se no posto de Felgueiras, após o que foi conduzido à Polícia Judiciária”.
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