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Correio da Manhã

Portugal
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GNR destrói mercados de droga

Estavam na mira da GNR há seis meses, e as provas estavam todas reunidas para poderem avançar e desmantelar quatro importantes mercados de venda de cocaína e heroína na região do Algarve. Ontem foi o dia D, e a GNR de Loulé avançou em força para buscas em quatro moradias, em Almancil, e deteve dez pessoas, entre elas os principais elementos de uma extensa rede de tráfico de droga que abastecia todo o Algarve e Alentejo.

23 de Dezembro de 2011 às 01:00
GNR avançou em força para buscas em quatro moradias em Almancil e na zona do Esteval
GNR avançou em força para buscas em quatro moradias em Almancil e na zona do Esteval FOTO: Luís Costa

Foram apreendidas sete mil doses de heroína, 1500 de cocaína, 100 de haxixe, liamba, 17 pés de canábis e uma embalagem de produto indeterminado que se suspeita tratar--se de droga sintética. A droga, segundo explicou ao CM fonte da GNR, "era adquirida em estado puro em Lisboa e transportada de carro ou autocarro até Almancil. Depois era cozinhada, cortada, embalada e distribuída." Numa das moradias, sabe o CM, era usado um microondas para cozer a cocaína em pedra, para ser mais facilmente separada em doses de pó. Os abastecimentos em Lisboa era feitos "normalmente de duas em duas semanas".

Esta linha de produção era assegurada pelos vários elementos detidos - um holandês, três cabo-verdianos, dois guineenses e quatro portugueses, entre eles uma mulher. Uma das habitações era propriedade do cidadão holandês.

No entanto, quem liderava o "negócio de milhões", segundo fonte ligada à investigação, "era um cabo-verdiano". Segundo a mesma fonte da GNR, "a uma determinada altura do dia as casas funcionavam como um autêntico supermercado de drogas" e havia muitas vezes "mais de 15 pessoas a comprar ao mesmo tempo".

A megaoperação foi coordenada pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Loulé. Estiveram envolvidos 80 militares, entre eles elementos do dispositivo territorial e do Grupo de Intervenção de Operações Especiais, que garantiram a segurança nas buscas.

Os dez detidos têm idades compreendidas entre os 26 e os 54 anos. Oito foram presos por tráfico, um por posse de arma ilegal (munições) e o outro por permanência ilegal em território nacional. Segundo a GNR, três dos detidos já têm cadastro, dois dos quais já cumpriram pena por tráfico de droga e furto.

Foram ainda apreendidos 300 euros em dinheiro, notas de diferentes países, 21 telemóveis, duas balanças, produto de corte, material para acondicionamento do produto estupefaciente, uma pistola de pressão de ar, munições, catanas, sabres e uma faca ponta-e-mola.

MAR É A MAIOR PORTA DE ENTRADA DA DROGA

O mar continua a ser a principal porta de entrada da droga no Algarve, sobretudo de haxixe. Já este mês, no dia 14, foi encontrado um barco à deriva no rio Guadiana com quase uma tonelada de haxixe.

A embarcação, com cinco metros de comprimento, motor de 150 cavalos e registada em Espanha, foi avistada pela Guardia Civil, perto da Ponte Internacional do Guadiana, que alertou as autoridades portuguesas. A Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da GNR acabaria por interceptar o barco duas milhas a sul da foz de Odeleite. A zona ainda foi alvo de buscas, mas ninguém foi detido. Ainda no Sotavento algarvio, neste caso em Olhão, foram apreendidas pela UCC, em Junho, 2,5 toneladas da mesma droga. A operação resultou de uma vigilância à costa que permitiu a detecção de dois barcos na ria Formosa. A GNR interveio quando a droga estava a ser descarregada para duas viaturas ligeiras, detendo quatro homens.

Em Fevereiro, a PJ apreendeu duas toneladas de haxixe e fez quatro detenções no Barlavento algarvio. A droga terá sido descarregada de barco e estava a ser transportada de carrinha, com destino à Europa Central.

REDE FRANCESA OPERAVA A PARTIR DO ALGARVE

Uma rede francesa de tráfico de cocaína foi desmantelada em Junho pela PJ. Operava a partir de uma vivenda em Faro e seria liderado por uma francesa de 35 anos.

Foram apanhados 870 quilos de droga, num veleiro, e grande quantidade de dinheiro e artigos valiosos.

TRAFICANTES SÓ ACTUAVAM NO PERÍODO DE VERÃO

Uma rede com origem na Holanda foi desmantelada pela PJ, em colaboração da Polícia Marítima, em Julho. O grupo tinha a particularidade de actuar no Algarve apenas no Verão.

Foi apreendida uma lancha com 1,3 toneladas de pólen de haxixe. 

DISCURSO DIRECTO

"FOI TRAVADO UM NEGÓCIO QUE CAUSAVA ALARME SOCIAL", Abel Adriano, Comandante GNR de Loulé 

Correio da Manhã - Qual a razão para a GNR estar a dar tanta atenção ao tráfico de droga?

Abel Adriano - Este tipo de crime causa muito alarme social, e, nestes casos que foram agora desmantelados, havia dezenas de queixas da actividade criminosa que estava a acontecer. O corrupio de traficantes e consumidores estava a ultrapassar os limites.

- De que forma era vendido o produto estupefaciente?

- Nos últimos meses o negócio já era feito tanto às claras quanto às escuras, dentro e fora das casas. Estes locais estavam com um fluxo muito elevado de clientela.

- Além da droga e material ligado ao negócio do tráfico foram ainda encontrados objectos alegadamente furtados. Pode--se dizer que quem consome droga também furta e rouba?

- Numa grande maioria dos casos, o tráfico de droga está aliado aos furtos em habitações ou roubos. Muitos consumidores furtam e pagam a droga que consomem no dia-a-dia com os objectos.

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