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Correio da Manhã

Portugal
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GNR FICA SEM A G3

Foi uma cena mais espectacular do que as que se vêem nos grandes filmes de acção, dizem os muitos populares que assistiram a tudo. Ontem, pelas 11h15, na sequência de um assalto à dependência de Balasar, Póvoa de Varzim, da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, dois militares da GNR foram agredidos pelos assaltante. Como se não bastasse, roubaram-lhes uma G3 e uma pistola Walter. De seguida colocaram-se em fuga, num Volkswagen Bora, com um saco de dinheiro na bagagem, cuja quantia se desconhece.
30 de Setembro de 2004 às 00:00
Ao que o Correio da Manhã apurou, dois larápios, que falavam espanhol e estavam armados de caçadeiras de canos serrados e com cabeleiras postiças, entraram no banco, fecharam os dois clientes e três dos quatro funcionários, obrigando o outro a pôr o dinheiro num saco.
Apercebendo-se do que se passava, um transeunte comunicou a ocorrência à GNR da Póvoa de Varzim, que rapidamente enviou para o local uma patrulha de dois homens.
Os guardas, julgando tratar-se de uma acção amadora, pararam o jipe em frente ao banco. Um foi ver o que se passava e o outro esperou sentado ao volante.
Como estavam a ver tudo pelos vidros, mal o agente entrou no banco levou uma coronhada na cabeça, ficando imobilizado. Entretanto, um dos gatunos, de arma em punho, foi ao jipe e deu ordem ao guarda para entrar no banco. Isto perante o olhar incrédulo de dezenas de populares.
De seguida, tiraram a pistola e a G3 aos agentes e colocaram-se em fuga, na direcção de Vila Nova de Famalicão, com as armas dos guardas e com um saco de dinheiro.
"OS AGENTES FORAM INGÉNUOS"
Apesar da rapidez com que tudo se passou e do facto de estarmos perante dois assaltantes com elevado grau de profissionalismo, é incontestável que os agentes agiram sem as mínimas precauções de segurança.
Um oficial da GNR disse ao Correio da Manhã que “os agentes agiram na base da confiança, o que nunca se deve fazer”. Para este responsável, a actuação correcta passava pela discreta demarcação de um perímetro de segurança, sem dar nas vistas e, ao aperceber-se que os assaltantes ainda se encontravam no interior do banco, comunicar o caso aos comandos para que pudessem ser deslocados reforços para o local. “Os bancos têm instruções para não chamarem as autoridades em caso de assalto, precisamente para evitar que os assaltantes cometam a loucura de matar ou ferir alguém ou de fazer reféns. Ora, os agentes nunca deviam ter entrado por ali dentro, de peito feito, sujeitos ao que lhes aconteceu e até a muito pior”, referiu este oficial superior, lembrando que “eles podiam ter sido mortos”.
José António Barbosa, que foi testemunha ocular deste insólito acontecimento, disse ao CM que “eles agiram com a maior calma do mundo, quer quando vieram buscar o GNR ao jipe, quer quando se puseram em fuga. Pela forma como agiram, dava a entender que conheciam muito bem o ambiente”.
Um dos agentes ficou ferido na cabeça, recebeu tratamento hospitalar, enquanto que o outro ficou em estado de choque.
NOTAS
ALARME
A GNR terá sido chamada por um popular. É que os bancos têm ordens expressas para, nas horas de expediente, não accionar o alarme a fim de evitar que sejam feitos reféns.
BUSCAS
Após a fuga dos larápios, ainda antes do meio-dia, foi activado um plano de intercepção e busca, implicando mais de uma centena de agentes da BT, GNR, PSP e Polícia Judiciária.
ARMAS
Neste assalto, os dois agentes ficaram sem duas armas de guerra: uma espingarda automática G3 e e uma pistola Walter de 9 mm. O que mais preocupa a GNR é a G3.
LARÁPIOS
O assalto à Caixa de Crédito da Póvoa do Varzim foi praticado por dois homens armados de caçadeiras de canos cortados, que falavam espanhol e aparentavam entre os 30 e os 35 anos.
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