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Correio da Manhã

Portugal
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GNR sem farda para o Inverno

Os 640 estagiários da GNR, colocados em postos de norte a sul do País, batem o dente de frio porque não têm a farda completa. Terminaram o curso de formação de praças, em Novembro, no Agrupamento de Instrução de Portalegre da GNR, chegaram em Dezembro aos postos onde foram colocados para prestar serviço sem blusões de Inverno. O Comando Geral da Guarda justifica o caso com uma ruptura do ‘stock’.
14 de Dezembro de 2006 às 00:00
Agentes da PSP e militares da GNR pagam a farda que usam
Agentes da PSP e militares da GNR pagam a farda que usam
Os estagiários efectuam as patrulhas ao lado dos militares mais experientes em mangas de camisa, apesar do rigor do Inverno. Outros andam com velhos blusões emprestados.
DESILUSÃO
Estes militares da GNR, de acordo com várias fontes contactadas pelo CM, têm sofrido com as baixas temperaturas registadas nos últimos dias e estão desiludidos. “Já se interrogam por que razão entraram para a GNR, uma vez que é tudo diferente do que lhes prometeram”, disse uma fonte ao CM.
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) “já recebeu dezenas de queixas dos próprios militares e de familiares, que se insurgem pela forma como os jovens estagiários estão a ser tratados”, disse ao CM o presidente da associação, José Manageiro, acrescentando que “os homens estão a fazer serviço e a bater o dente com frio”.
Por sua vez, a Associação Sócio-Profissional da GNR (ASPIG) diz que esta é uma “péssima imagem para os novos militares”. “Sem condições, não se formam homens”, disse José Alho, dirigente da ASPIG.
O oficial porta-voz do Comando Geral da GNR, tenente-coronel Costa Cabral, confirmou ao CM que os elementos formados em Portalegre não receberam os agasalhos, devido a uma “ruptura no fornecimento dos ‘stocks’”. “Apesar de existirem alguns blusões, por uma questão de tratamento idêntico para todos, não foram distribuídos”, disse aquele responsável ao CM. Costa Cabral garante que o problema estará resolvido até final do ano e que em Janeiro já todos os militares estão a trabalhar mais agasalhados.
CUSTO DA FARDA
BONÉ
O modelo agora utilizado foi introduzido em 2005 e custou aos militares 6,99 euros.
COLETE
Um colete reflector, só vendido em casas da especialidade, ronda os 20 euros.
BLUSÃO
O blusão impermeável que o militar usa no serviço diário ronda os 35 euros.
CALÇAS
Um par de calças custa aos militares da GNR 15 euros. Normalmente são necessárias três por ano.
BOTAS
As botas de cano alto, usadas pelos militares da Brigada de Trânsito, custam 125 euros. As outras rondam os 45.
OUTRAS DESPESAS
FATO DE GALA
Além da farda que o militar usa todos os dias, um guarda é obrigado ainda a adquirir uma farda de gala pelo valor de 100 euros. Os sapatos rondam os 30 euros. E, por cada divisa, são mais seis euros.
ALGEMAS E APITO
A maior parte das algemas e dos apitos usados na GNR foram adquiridos pelos militares. Um apito custa quatro euros e o respectivo fio custa sete. As algemas são mais caras do que um par de calças: 23,60 euros.
CAMISA E GRAVATA
Na lista das compras, é necessário contar ainda com a camisa de 13 euros (nas lojas da especialidade) e com a gravata (de seis euros). O cinturão, também de modelo próprio, custa 15 euros. Os preços, alerta a loja da especialidade, são mais baixos do que no Comando.
PSP FICOU SEM CALÇAS NO ANO PASSADO
Também na PSP, os operacionais recebem cinco euros por mês para fardamento, mas o material é caro em relação ao subsídio. Um casaco de pele, por exemplo, custa 200 euros. Os polícias dirigem-se ao depósito de fardamento quando querem adquirir material, mas, no ano passado, faltaram as calças e alguns chegaram usar calças rotas. A Associação de Profissionais de Polícia queixa-se de que o fardamento não tem qualidade.
MILITARES DO SERVIÇO MARÍTIMO AINDA AGUARDAM FARDAMENTO
Os militares do Serviço Marítimo da GNR também estão à espera de que o Comando adopte equipamentos específicos para o serviço que prestam. Actualmente, dispõem apenas de uma farda igual à dos outros, a única que podem pagar. Todos os meses os militares recebem seis euros de subsídio de fardamento, um valor que consideram reduzido face aos custos dos equipamentos.
Em Janeiro de 2005 estalou a polémica por causa dos novos barretes de serviço, introduzidos pelo comandante-geral da GNR. O tradicional ‘decalitro’ (barrete com décadas na história da GNR) foi substituído por um boné de pala, mais prático para os operacionais, o ‘bivaque’. No entanto, foi dada uma ordem de serviço que dizia que cada militar teria de adquirir, obrigatoriamente, o novo modelo e desembolsar 25 euros.
Os militares contestaram e foram reembolsados. Feitas as contas, pagaram apenas seis euros. De norte a sul do País, os operacionais da GNR recorrem a lojas especializadas em artigos militares porque têm os produtos mais baratos do que na Comando.
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