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Correio da Manhã

Portugal
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GNR sem Táxi Seguro

Há já 700 táxis que circulam na Área Metropolitana de Lisboa ligados a uma central da PSP através do Sistema de Posicionamento Geográfico (GPS). O programa ‘Táxi Seguro’ permite aos taxistas, em caso de assalto, accionarem um alarme que dá imediatamente à PSP a localização do carro.
17 de Julho de 2006 às 00:00
Mas, caso o motorista accione o alarme na área da GNR, a PSP terá de dar as informações sobre a localização do táxi por telefone. E o tempo que se perde, diz a GNR, pode ser longo demais para salvar alguém.
Actualmente há duas centrais públicas de alarme instaladas no Comando da PSP de Lisboa e no Comando de Setúbal. São accionadas mal o taxista pressione um botão dissimulado no interior do táxi. Caso o supervisor da PSP constate que o táxi se dirige, ou segue, para uma área da GNR, “contacta os postos locais” dando indicações de todos os movimentos do carro, disse ao CM o subintendente Leonardo, responsável pelo ‘Programa Táxi Seguro’ na PSP – a força de segurança escolhida pelo Ministério da Administração Interna (MAI) para lançar o projecto.
Para a GNR, a intervenção numa situação de risco seria mais eficaz se a Guarda também tivesse uma central. “Se o veículo estiver em movimento, e tendo em consideração que o envio de sinal do GPS já chega com algum atraso, perde-se muito tempo”, disse ao CM o capitão Dias, da Repartição de Operações do Comando Geral da GNR. O sistema GPS permite ainda à PSP ouvir tudo o que se passa no interior do táxi, informação que a GNR considera fundamental.
O subintendente Leonardo, que não descarta a hipótese da ligação à GNR ser feita “no futuro”, afirma que “operacionalmente o sistema, que funciona em todo o País, tem de ser centralizado”. Para o responsável, “o facto de o alarme ser accionado em várias centrais não iria permitir coordenação entre as forças”.
Até agora, todos os alarmes accionados têm-se revelado falsos. “Ou por avaria no sistema, ou porque o taxista carregou no botão inadvertidamente”. Ainda assim, num dos falsos alarmes registados em Almada, o subintendente Leonardo diz que a cooperação entre PSP e GNR “correu muito bem”.
As autarquias de Sintra, Oeiras, Amadora, Vila Franca de Xira, Setúbal, Almada, Barreiro, Seixal, Montijo e Loures subscreveram o protocolo feito pelo MAI e pela Fundação Vodafone, para que os seus taxistas circulem em segurança. A Junta Metropolitana do Porto também assinou na última quinta-feira.
O capitão Dias diz que a área destes concelhos é maioritariamente da competência da GNR. “Faz todo o sentido termos uma central”, disse.
Fonte do MAI disse ao CM que “se houver uma comunicação activa e uma boa coordenação entre as forças de segurança não se perde tempo”. E que, num futuro próximo, não está prevista a instalação de uma central na GNR.
GOVERNO QUER VÍDEOVIGILÂNCIA
O Conselho de Ministros aprovou, no último dia 6, a proposta de lei que prevê a instalação de sistemas de videovigilância no interior dos táxis. O diploma teve a aprovação da Comissão Nacional de Protecção de Dados e define o direito de acesso e o tempo de conservação das informações – garantindo, assim, a “confidencialidade e segurança dos dados pessoais obtidos”. O registo de imagens vai permitir às forças de segurança a “identificação e responsabilização criminal dos infractores”. Foi também aprovado o decreto-lei que autoriza e define a homologação dos separadores de habitáculo. Os taxistas deixam de precisar da aprovação da Direcção-Geral de Viação para adquirirem um separador e passam a poder comprar qualquer modelo, desde que esteja homologado pela União Europeia.
LISBOA AINDA ESTÁ DE FORA
A Câmara Municipal de Lisboa ainda não subscreveu o protocolo assinado entre o Ministério da Administração Interna e a Fundação Vodafone – e os táxis da capital continuam, assim, de fora do programa ‘Táxi Seguro’. O responsável pela Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos, disse ao CM que “é urgente que Lisboa seja contemplada pelo programa”. Os taxistas que quiserem estar ligados à central da PSP têm de ser licenciados pela autarquia onde prestam serviço, caso contrário terão de esperar mais algum tempo para o fazerem por conta própria. Contactada pelo nosso jornal, fonte da autarquia de Lisboa afirmou que “a Câmara ainda não foi contactada” mas que vai “avaliar o programa”. A mesma fonte recordou o protocolo assinado pelo anterior executivo, de Santana Lopes, em que 250 táxis foram equipados com sistema GPS ligado à Central de Operações de Segurança da Antral. O programa previa abranger 3560 táxis da Grande Lisboa, o que não chegou a concretizar-se.
TAXISTAS ATACADOS
MONSATO
Custódio Peixoto, um taxista de 50 anos, foi atingido até à morte com um objecto contundente na cabeça. O seu corpo foi abandonado, no último dia 28, em Monsanto, em Lisboa
CARCAVELOS
Jaime Félix, 66 anos, pai de um polícia, foi morto à facada na Quinta da Alagoa, em Carcavelos, em Agosto de 2005. Não foi vítima de assalto.
SINTRA
Vítor Silva, 54 anos, foi assassinado, em Agosto do ano passado, com dez facadas no peito e no abdómen, em Agualva, Sintra. Conduzia o táxi há apenas uma semana.
PORTO
Na página da internet da PJ pede-se a colaboração para resolver o homicídio de um taxista que, em Junho do ano passado, foi assassinado no Porto.
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