Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
8

GNR sem testes de droga

O vice-presidente do grupo parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, vai entregar hoje na Assembleia da República um requerimento onde pede explicações ao Governo sobre o uso dos testes de despistagem de droga utilizados pelas forças de segurança. O pedido surge, segundo disse o deputado ao CM, “após ter recebido várias denúncias” que vêm revelar que a Brigada de Trânsito da GNR da zona do Alentejo, entre outras, não tem testes para fazer despistagens de droga aos condutores.
23 de Novembro de 2007 às 00:00
O PP defende que os testes de droga deviam ser tão usados como os de álcool
O PP defende que os testes de droga deviam ser tão usados como os de álcool FOTO: Nuno André Ferreira
“O Governo anunciou a implementação dos testes de despistagem de droga e nós saudámos a medida. Mas agora parece que, por questões economicistas [cada teste custa cerca de 12 euros e não é reutilizável], há postos territoriais e destacamentos da GNR que já não têm testes”, diz Nuno Magalhães.
Incomodado com o facto de achar que o Governo “fez propaganda política” em relação a este assunto, o CDS-PP exige agora saber quantos testes já foram utilizados, quantos deram positivo, quantos foram distribuídos e onde e ainda os que estão disponíveis. “Queremos saber isso tudo. Pelo que sei, há muitos postos da GNR no País que não têm estes testes, incluindo a BT. Eu diria que isso é o cúmulo”, diz o deputado.
O coronel Costa Cabral, responsável pelas relações públicas do Comando Geral da GNR, afirma que “a Guarda ainda tem muitos dos 3000 testes distribuídos.” “Pode dar--se o caso de um ou outro posto já não ter testes porque os gastaram, mas garanto que não ficam por fazer. Por exemplo, um soldado no terreno pode pedir a outro posto que lhe leve um teste ou tem ainda a hipótese de levar o automobilista ao hospital para fazer análises ao sangue”, afirma Costa Cabral.
José Alho, presidente da Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda acusa o Ministério da Administração Interna de fazer propaganda. “Há muitos postos a viver com este dilema. Os agentes podiam resolver o problema no terreno e têm de ir entupir as urgências se quiserem saber se o condutor consumiu estupefacientes.”
O CDS-PP considera que a utilização destes testes devia ser feita à semelhança dos de álcool. “É uma questão de prioridades. Achamos que a utilização destes testes deve ser feita com regularidade, uma vez que há cada vez mais utilização de drogas”, diz Nuno Magalhães.
PORMENORES
DESPISTAGEM
Através do recurso apenas à saliva de um condutor, o teste de despistagem de drogas ‘Oratec 3’ permite às autoridades verificar se existe, por exemplo, presença de cocaína, haxixe, heroína ou ecstasy no organismo do automobilista.
CONTRA-PROVA
Como o teste de despistagem de drogas não tem fiabilidade científica de 100 por cento, o automobilista pode, se considerar necessário, pedir aos agentes para se dirigir a um hospital e fazer uma contra-prova. As análises ao sangue podem ou não dissipar as dúvidas existentes.
PRAZO DE VALIDADE
O teste que as forças de segurança usam para fazer a despistagem de estupefacientes aos automobilistas de Norte a Sul do País tem um prazo de validade de um ano e não é reutilizado.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)