Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

GNR TRAVA REGRESSO DE 'GANG'

Sesimbra, onze horas da noite de sexta-feira. A calma reina, mas nos olhos de cada um está viva a recordação de que foi apenas há uma semana que a vila foi tomada de assalto por um 'gang' violento.
7 de Setembro de 2003 às 00:00
GNR TRAVA REGRESSO DE 'GANG'
GNR TRAVA REGRESSO DE 'GANG' FOTO: Tiago Sousa Dias
Apesar de a GNR manter as entradas e o interior da localidade vigiados, fica bem patente o receio da repetição das agressões e assaltos levados a cabo por um grupo de cem indivíduos vindos de vários pontos da Linha de Sintra.
Os principais prejudicados são os estabelecimentos comerciais, que apesar de não fecharem as portas como se chegou a anunciar, acabam por contar com uma lotação inferior àquilo que é normal no fim-de-semana. O Largo Bombaldes, uma das artérias onde, na noite de 29 para 30 de Agosto, os 'desordeiros' mais fizeram sentir a sua vontade de ajustar contas com quem os havia expulsado no dia anterior, alberga agora uma tensão que ameaça explodir, sentida nas conversas nervosas e sempre sobre o tema da violência.
Grupos de populares, indiferentes ao vento fresco, vão atravessando o largo, animados pela música de um grupo de folclore da América do Sul, que ajuda a disfarçar o nervosismo. Mas o medo do regresso dos confrontos marca o passar das horas.
'SITE' DA INTERNET
Alguns metros à frente, num dos muitos bares do Largo da Marinha, mesmo junto à praia, fala-se de Internet. A hipótese, avançada quarta-feira pelo CM, de que o regresso do grupo de desordeiros da Linha de Sintra estaria a ser anunciado num 'site' da 'Web' é recordada por grupos de jovens. "Eu vi lá escrito que eles iam voltar", adianta, com firmeza, um rapaz para os amigos. A resposta vem sob a forma de um indeciso "é esperar para ver".
Consciente destes rumores, Célia Dias testemunha à reportagem do nosso jornal o efeito no comércio local. "Aqui no nosso bar ['O Corsário'] temos notado, ao longo da última semana, um decréscimo de clientela. As pessoas mostraram medo depois de tudo o que aconteceu."
Quem não se mostrou disposta a esperar para ver foi a GNR que montou para as três noites deste fim-de- -semana uma operação de prevenção da violência. Além dos homens do posto local, o dispositivo montado e chefiado pelo próprio comandante do Grupo Territorial de Setúbal conta com o reforço de militares de outros postos e do Regimento de Infantaria, num total de 60 homens.
GRUPO DE DEFENSORES
O esquema de segurança aposta na visibilidade. Em Santana, à entrada de Sesimbra, dois militares, um deles armado de espingarda 'shot-gun', vigiam a circulação automóvel. No centro da vila, cães ajudam os militares a controlar situações imprevistas.
No entanto, o aparato de segurança acaba por desmobilizar pelas 04h00, sem problemas a assinalar. Quase à mesma hora, um grupo de populares, armado com paus para defender a vila, escondido durante várias horas em pontos estratégicos, regressa a casa.
No entanto, no espírito de todos, mantém-se a certeza de que o pior pode voltar a acontecer .
'O MEDO AUMENTOU'
Indiferente à possibilidade de repetição dos confrontos, o casal Ana e Alexandre Reis optou por passar a noite de sexta-feira num tranquilo passeio pelas ruas de Sesimbra. No entanto, apesar da calma aparente, ambos convergiram na ideia de que sair à noite em Sesimbra "já não é o que era". "Antes, podíamos andar pela vila a qualquer hora e não havia problemas. Hoje, o medo aumentou e as pessoas já pensam duas vezes", referiu Ana Reis.
E com os acontecimentos da madrugada de 30 de Agosto, o receio intensificou-se. "Eles vão voltar", opinou Alexandre Reis.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)