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Correio da Manhã

Portugal

GNR não informa de ida ao alterne

Diz que estava em serviço, mas PJ garante que isso teria de estar em papel.
Catarina Gomes Sousa 9 de Janeiro de 2015 às 08:01
Militares da GNR de Vila do Conde estão a ser julgados por receberem bens a troco de favores
Militares da GNR de Vila do Conde estão a ser julgados por receberem bens a troco de favores FOTO: D.R.

Rui Silva, o ex-comandante do posto da GNR de Vila do Conde acusado de beber de graça em bares de alterne para evitar fiscalizações, disse que ia àqueles locais "à civil, mas em serviço" recolher informações para futuras operações da Guarda. Porém, nenhuma dessas vigilâncias foi oficialmente comunicada – pelo que foi ontem desmentido pelo inspetor da PJ que esteve a cargo da investigação aos militares. "Tudo exige papel", disse a testemunha no Tribunal de Matosinhos, onde decorre o julgamento.

O investigador confirmou ainda que nas escutas se percebe que o ex-comandante do posto usava o seu cargo para fazer favores a amigos. Um deles também foi ontem ouvido em tribunal, mas logo negou todo o conteúdo das interceções telefónicas. José Cunha – que terá conseguido, com a ajuda de Rui Silva, passar à frente na lista de espera para tirar um curso de tiro – diz que é amigo do militar e que, ao contrário do que se ouve nas escutas, o jantar que tiveram juntos não foi qualquer pagamento de um suposto favor. Ainda durante a sessão de ontem, foram ouvidos Carlos Paralvas e Paulo Pinto, outros dois dos cinco militares acusados pelo Ministério Público de se deixarem corromper. Ambos negaram todos os factos que lhes são imputados. 

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