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Correio da Manhã

Portugal
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“Governo está a brincar com as vítimas do fogo”

Vários agricultores não concorrem a programas do Governo devido à burocracia.
Diana Santos Gomez 9 de Outubro de 2018 às 08:52
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
Shanti Fernandes é uma das voluntárias da Plataforma Ajuda Monchique, à qual Manuel Rodrigues recorreu
"O Governo está a brincar com as vítimas do fogo. Não vale a pena candidatar-me porque os programas para ajudar os agricultores não são uma ajuda, são uma desajuda devido à burocracia".

As palavras de desespero são de Manuel Rodrigues, de 65 anos, um dos agricultores que sofreu vários prejuízos após o incêndio que atingiu, há mais de dois meses, os concelhos de Monchique, Silves e Portimão.

Manuel perdeu cerca de cinco mil euros em material agrícola e está revoltado porque para receber as ajudas prometidas pelo Governo terá de se coletar nas Finanças e "manter a atividade aberta durante cinco anos". Segundo este agricultor, que também perdeu a primeira habitação, a maioria das pessoas com quem tem falado "desistiu da candidatura".

Shanti Fernandes, voluntária da Plataforma Ajuda Monchique, explicou ao CM que "90 % das pessoas" com as quais têm contactado "não concorrem" aos apoios. Em relação às casas, as vítimas do incêndio "não podem pagar os planos de reconstrução exigidos".

Contactado pelo CM, o Ministério da Agricultura garante que simplificou o processo, permitindo o pagamento em numerário desde que "o valor de cada fatura seja inferior a 250 euros".

Pagamentos em dinheiro apenas até 250 euros   
Segundo o decreto-lei 159/2014, "não são elegíveis os pagamentos em numerário, exceto no âmbito dos fundos da política de coesão, nas situações em que se revele ser este o pagamento mais frequente, em função das despesas, e num quantitativo unitário inferior a 250 euros".

Pedidas candidaturas simplificadas até 5000 €  
A Confederação Nacional de Agricultores apelou ao Governo para que os prejuízos até cinco mil euros pudessem permitir candidaturas simplificadas, tal como aconteceu no ano passado com os pequenos e médios agricultores afetados pelos incêndios na zona Centro do País.

PORMENORES 
Escassez de material
Segundo dados da Plataforma Ajuda Monchique, 120 famílias já foram apoiados com tubos de rega, numa média de cerca de 300 euros em material.

Retirada de escombros
Mais de 40 casas, várias com crianças, aguardam pela retirada de escombros, algumas contaminadas com amianto, uma matéria tóxica para a saúde.
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