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Correio da Manhã

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Governo quer replicar programa que levou a 0% de abandono escolar de crianças ciganas

Entre as medidas previstas estão a "capacitação de professores no ensino, reforçar as bolsas de educação em articulação com as que existem para que [os alunos] possam completar o ensino superior".
Lusa 19 de Novembro de 2019 às 13:54
Alunos
Alunos FOTO: Getty Images
A secretária de Estado para a Integração disse esta segunda-feira pretender replicar a outros estabelecimentos de ensino o programa "Rise", aplicado numa escola de Vila Verde, Braga, e que levou a uma taxa de zero de abandono na comunidade cigana.

Em Braga, para apresentação dos resultados do programa "RISE - Roma Inclusive School Experiences", a governante Cláudia Pereira, assegurou que o Governo está a desenvolver uma "estratégia integradora" quer de portugueses ciganos, quer migrantes ou refugiados através de "várias dinâmicas".

Questionada sobre a aplicação do programa a outras escolas, respondeu:"Sem dúvida, basta ver este indicador de 0% de abandono escolar e daí termos escolhido este momento para a nossa aparição pública por queremos validar e aplicar noutras escolas".

Segundo Cláudia Pereira, o projeto apresentado esta segunda-feira "está já a dar um importante contributo através de práticas que aproximação de crianças, famílias e escola".

A secretária de Estado para a Integração e Migrações salientou que o objetivo é a "integração de todos os portugueses, ciganos, migrantes refugiados e reforçar o papel nessa melhor integração".

Entre as medidas previstas pelo atual executivo estão a "capacitação de professores no ensino, reforçar as bolsas de educação em articulação com as que existem para que [os alunos] possam completar o ensino superior, o programa Escolhas, do Alto Comissariado para as Migrações".

O projeto "Rise" diminuiu o absentismo e insucesso escolar de alunos ciganos com base na articulação entre famílias e escola, interculturalidade e diálogo, formação de professores e articulação curricular.

Com base neste projeto, que teve início em 2018 e com data prevista para terminar em março de 2020, pretende-se que seja feito um 'booklet' de boas práticas para serem seguidas noutras escolas frequentadas por crianças ciganas e de outras minorias socioeconómicas.

O "Rise" foi aplicado no pré-escolar, primeiro e segundo ciclos.

"Mais do que resultados quantitativos deste tipo de projetos é preciso retirar resultados qualificativos. Se por um lado é possível quantificar um menor abandono escolar e taxas de insucesso a diminuir, por outro é preciso salientar esses resultados foram conseguidos pela inversão do paradigma Ensino/ Aprendizagem para Aprendizagem/Ensino, colocando o aluno como o centro das atenções na sala de aula", explicou a docente da Universidade do Minho e também membro do Observatório das Comunidades Ciganas, Maria José Casa-Nova.

Para aquela "inversão", os professores incluídos no projeto usaram "dispositivos pedagógicos" para levar os alunos a aprender as matérias escolares através do uso de mecanismos que fizeram deles os protagonistas das aulas.

O "Rise" está também a ser aplicado em Itália e na Eslovénia, sendo financiado pelo programa Direitos, Igualdade e Cidadania da Comissão Europeia.

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