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Correio da Manhã

Portugal
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Governo recusou duas vezes reforço de meios nos fogos

Comandante operacional nacional, Albino Tavares, fez sete pedidos de reforço de meios ao presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil.
Miguel Curado e João Carlos Rodrigues 22 de Março de 2018 às 01:30
Incêndios de outubro
Incêndios de outubro
Incêndio
Incêndios em Seia
Incêndios de outubro
Incêndios de outubro
Incêndio
Incêndios em Seia
Incêndios de outubro
Incêndios de outubro
Incêndio
Incêndios em Seia
O comandante operacional nacional em funções no início de outubro de 2017, Albino Tavares, fez 7 pedidos de reforço de meios humanos e materiais para combate a incêndios ao topo da hierarquia da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

O presidente deste organismo, na altura Joaquim Leitão, transmitiu esta necessidade ao Ministério da Administração Interna – então liderado por Constança U. Sousa – em pelo menos duas ocasiões (a última a 12 de outubro, 2 dias antes do início do inferno que acabou por se transformar no maior incêndio de sempre na Europa). Em ambas as ocasiões, o desbloqueio dos meios foi recusado pelo ex-secretário de Estado da Administração Interna Jorge Gomes.

O antigo governante, e atual deputado do PS, recusou comentar o relatório da comissão técnica sobre os fogos. No entanto, sabe o CM, foi sempre Jorge Gomes a funcionar como interlocutor da ANPC. Mesmo face ao perpetuar do tempo quente no início de outubro, Albino Tavares viu negados os pedidos de reforço de 200 horas de voo de duas parelhas de aviões anfíbios, o acréscimo de 40 operacionais à Força Especial de Bombeiros e a contratação de mais 4 meios aéreos ligeiros e 4 aviões anfíbios médios.

Dos pedidos feitos, a ANPC só recebeu 50 equipas de combate (tinha pedido 105) e apenas 164 equipas para o período de 10 a 31 de outubro. Recebeu ainda 70 horas de voo para aviões anfíbios e o prolongamento de locação de oito helicópteros. 

Há "mal-entendido" nestas conclusões 
O presidente da EDP Distribuição, João Torres, disse esta quarta-feira, na CMTV, que "não houve ocorrência que corresponda à queda de árvore sobre a linha": "Não sei se resultará daqui um mal-entendido que leva a estas conclusões."

PORMENORES 
Patrulhas da GNR
A GNR tem de intensificar o patrulhamento nos locais com muitas ocorrências de incêndios, sobretudo no período crítico, sugere o documento.

Reorganizar bombeiros
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Soares, considera desnecessária uma unidade de missão para reorganizar os bombeiros.

Alterações legislativas
O Presidente da República afirma que apoia alterações legislativas para retocar o que está a ser feito no combate aos fogos.

"O que aconteceu marcou para a vida" 
"Numa matéria desta gravidade, em que aconteceu tudo o que sabemos que aconteceu, e que nos marcou muito, e a mim marcou muito, para a vida toda, não quero tratar levianamente este assunto." Esta foi a única declaração da ex-ministra da Administração Interna Constança Urbano Sousa, atualmente deputada na Assembleia da República.

Também Jorge Gomes, na altura secretário de Estado da Proteção Civil, recusou responder a qualquer questão.  Recorde-se que, a 16 de outubro, a ministra recusou demitir-se e deixou uma frase que nem o Presidente da República conseguiu digerir: "Acho que este não é o momento para a demissão, é o momento para a ação. Ir-me embora seria o caminho mais fácil, ia ter as férias que não tive."

Foi afastada do cargo dois dias depois. 

"Não há dinheiro que pague a vida do meu pai" 
"Não há dinheiro nenhum que pague a vida do meu pai", desabafa Maria Ferreira, filha de António Ferreira, 82 anos,  uma das vítimas mortais do fogo de outubro, que residia em Lufreu, São Pedro de Alva, no concelho de Penacova.

Já as conclusões do relatório  não a surpreendem e defende que as verbas das indemnizações deveriam ter sido anteriormente aplicadas no reforço de meios para garantir o apoio às populações e evitar as mortes e perda de casas.
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