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Correio da Manhã

Portugal
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GRANDE LISBOA OPTA PELO AUTOMÓVEL

Hoje celebra-se o Dia Europeu sem Carros, destinado a chamar a atenção para formas mais sustentáveis de mobilidade, que implicam, nomeadamente, a promoção do transporte colectivo. Verifica-se, porém, que este ‘conta’ cada vez menos na Área Metropolitana de Lisboa (AML).
22 de Setembro de 2003 às 00:00
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) permitem concluir que, enquanto em 1991 o transporte colectivo assegurava mais de 50 por cento das deslocações da população residente na AML, em 2001 representava apenas 37 por cento, menos 13 por cento. Ao mesmo tempo, a importância do transporte individual aumentou de 26 para 45 por cento, o que traduz um acréscimo de 19 por cento.
Segundo pormenoriza o estudo com o título “Movimentos Pendulares na Área Metropolitana de Lisboa 1991-2001”, “em 1991, na maioria dos concelhos, as deslocações eram asseguradas pelo autocarro, eléctrico e metropolitano, destacando-se, porém, Cascais e Sintra, onde o modo de transporte predominante era o comboio”. O automóvel não constituía o modo de transporte maioritário em qualquer dos concelhos.
Volvidos dez anos, quando se analisa a importância relativa dos vários modos de transporte, constata-se que, na AML, “o automóvel foi dominante nos percursos casa-trabalho e casa-escola”, seguindo-se-lhe o autocarro (22 por cento), as deslocações a pé (16) e o comboio (10). Menor expressão têm as deslocações de eléctrico ou de metropolitano (três por cento).
GANHAR TRÊS MINUTOS
Segundo o INE, em 2001 o automóvel era o modo de transporte mais utilizado pelos residentes em todos os concelhos da AML. O autocarro era o segundo transporte preferido. Nos concelhos periféricos predominavam as deslocações a pé e nos que são servidos por redes de transporte ferroviário (Cascais e Sintra), esta posição pertencia ao comboio.
A duração média das deslocações pendulares (casa-trabalho) dos residentes na AML era, em 2001, de 32 minutos, valor ligeiramente inferior ao verificado em 1991 (35 minutos). A ‘troca’ do transporte colectivo pelo automóvel resultou num ganho de tempo de apenas três minutos.
A PÉ, DE BICICLETA E DE TRICICLO NA MARGINAL
São 62 os municípios portugueses que participam no Dia Europeu sem Carros e quatro (Lisboa, Porto, Torres Novas e Grândola) aqueles que apoiam a iniciativa, promovendo uma ou outra acção. Em algumas cidades e vilas o evento foi antecipado, decorrendo também durante o fim-de-semana. Assim aconteceu, por exemplo, em Viseu, Leiria, Portimão, S. João da Madeira e Oeiras, com o encerramento, durante a manhã de ontem, da Estrada Marginal ao trânsito automóvel. O momento foi aproveitado por algumas centenas de miúdos e graúdos, que percorreram aquela via a pé, de trotineta, bicicleta ou triciclo.
Lisboa encerra hoje ao trânsito apenas algumas artérias , porque, à semelhança do ano passado, a autarquia prefere apostar na apresentação de medidas definitivas para melhorar a circulação automóvel.
A Câmara Municipal de Lisboa aproveita a ocasião para anunciar o novo Regulamento de Cargas e Descargas e o Plano de Mobilidade, cujo objectivo é “aliviar o tráfego automóvel”. Depois de garantir a gratuitidade dos transportes da Carris e do Metro a todas as pessoas que vivem e trabalham em Lisboa, a autarquia decidiu encerrar a Praça do Município e a Rua do Século, entre a Rua da Academia das Ciências e a Calçada do Combro.
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