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Correio da Manhã

Portugal
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“Gritou à janela cheia de sangue”

Os gritos de desespero de Cristina Afonso, de 46 anos, da janela de casa, ecoaram anteontem à noite por toda a rua do Sul, em Matosinhos. A mulher, que foi atacada no pescoço por um pitbull arraçado de leão da Rodésia, terá tido morte quase imediata, apesar do socorro prestado pela filha – sempre ao telefone com socorristas do INEM.

26 de Agosto de 2012 às 01:00
Corpo de Cristina Afonso, de 46 anos, foi removido para o Instituto de Medicina Legal do Porto. A mãe da vítima, de 70 anos, também ficou ferida numa mão e foi transportada para o Hospital de Matosinhos
Corpo de Cristina Afonso, de 46 anos, foi removido para o Instituto de Medicina Legal do Porto. A mãe da vítima, de 70 anos, também ficou ferida numa mão e foi transportada para o Hospital de Matosinhos FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Também a mãe da vítima mortal, uma idosa acamada, rastejou pelo quarto para ajudar a filha, mas foi ferrada pelo cão numa mão. Quanto a Cristina, "veio gritar à janela já cheia de sangue. Quando entrei em casa ainda a reanimei. Fiz como eles explicaram ao telefone, mas ela morreu", começou por dizer Patrícia Pinho, de 16 anos, filha da vítima. Assim que os socorristas do INEM chegaram não conseguiram entrar na habitação, uma vez que o cão, de nome Ibiza, estava à solta e em fúria.

"Ele só me obedece a mim e ao meu irmão. Tive de o conseguir acalmar e levar para a cozinha para o trancar. Só depois o INEM entrou", frisou a jovem. Foi também a filha da vítima que ajudou os funcionários da SUMA (Serviços Urbanos e Meio Ambiente) a conduzir o cão para uma carrinha de transporte de animais.

O cão de raça consideradaperigosa foi depois levado para o canil de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos, onde será abatido com uma injecção letal. O corpo da vítima foi transportado para o Instituto de Medicina Legal do Porto para ser autopsiado.

De acordo com Patrícia Pinho, o animal ficou aos cuidados da mãe durante um período de férias do irmão, Miguel, de 20 anos, no Algarve. "O cão tinha muita força e não gostava da minha mãe. Não lhe tinha respeito. Como ela lhe fez frente ao recusar dar-lhe pão, ele atacou-a", diz a jovem, cuja avó, de 70 anos, foi internada no Hospital dePedro Hispano após ter sido, também ela, atacada pelo cão.

ATAQUE MORTE CÃO MATOSINHOS
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