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Correio da Manhã

Portugal
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Grua mata operário em construção do Continente

Oacidente que anteontem feriu dois operários na construção do hipermercado Continente, em Valongo, foi apenas um episódio na história de uma obra onde, há pouco mais de 15 dias, já havia morrido um trabalhador.
14 de Março de 2008 às 00:30
Sérgio Ferreira, de 32 anos, ficou entalado a 26 de Fevereiro entre o cesto da grua e uma parede, a oito metros de altura, cerca das 11h40. O INEM tentou, em vão, reanimar o trabalhador, natural de Pessegueiro do Vouga, em Sever do Vouga. Sérgio acabaria por morrer no Hospital de São João, no Porto, vítima de graves lesões no tórax.
Essa morte tornou-se pública apenas na sequência do acidente de anteontem, uma vez que, na altura, nada foi noticiado.
“Não sei se abafaram ou não a situação, nem sei ainda o que provocou o acidente”, lamentou ontem ao CM o pai da vítima, José Ferreira, acrescentando que a empresa para qual o filho trabalhava, a Metalopenouços, “julga que poderá ter havido uma falha nos comandos da máquina”.
A família espera agora que sejam apuradas as causas do acidente para receber a indemnização do seguro. Mas, para a mãe, Maria Soares, “nenhum dinheiro será suficiente para atenuar a perda de um filho”. Sérgio, pai de duas crianças de oito e dois anos, já tinha sido vítima de um “azar” em 2004, quando um acidente lhe deixou a bacia, um braço e uma mão partidos. Mais sorte tiveram, na noite de anteontem, dois colegas atingidos por uma parede que tombou sobre eles.
Na obra, em Valongo, junto à A4, reinava o silêncio. Os poucos trabalhadores que aceitaram ontem falar com o CM lançavam um resignado desabafo: “São coisas que acontecem.” Ricardo Rodrigues, de 26 anos, afirmou ao CM que, quando começou a trabalhar, já sabia que “um colega tinha morrido”. “É óbvio que vinha com receio, mas penso que as condições de segurança são até melhores do que noutros locais em que estive a trabalhar”, afirmou. Este trabalhador atribui os acidentes à inépcia de alguns colegas.
“A segurança é igual para todos, mas há quem facilite. Muitas vezes a repetição de uma tarefa leva a um desleixo, motivado pelo excesso de segurança”, afirmou o operário.
ACIDENTES INVESTIGADOS
A assessoria de comunicação do Continente confirmou tanto a morte do operário como os dois feridos. “No primeiro caso, mais trágico, a nossa empresa lamenta a morte e garantimos que está sob investigação”, disse a mesma fonte. Quanto ao acidente de trabalho de anteontem, a cadeia de hipermercados salienta que pediu “à empresa contratada que investigue as causas do incidente”.
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