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Correio da Manhã

Portugal
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Grupo espanca e rouba estudantes

Eufóricos, mais de cem estudantes voltavam a casa de autocarro depois de uma noite de Queima das Fitas, no Porto. Durante a viagem, muitos deles foram assaltados e alguns violentamente agredidos por cinco indivíduos que circulavam no interior do veículo da STCP.

10 de Maio de 2009 às 00:30
Depois de serem agredidos alguns dos jovens tiveram de ser assistidos no Hospital de Santo António
Depois de serem agredidos alguns dos jovens tiveram de ser assistidos no Hospital de Santo António FOTO: Miguel Pereira

Os desacatos começaram na avenida da Boavista quando os agressores, que disseram morar no bairro do Lagarteiro, estavam sentados no fundo do autocarro e começaram a apalpar algumas raparigas, que de imediato se queixaram ao motorista. Sem que nada o fizesse prever os indivíduos levantaram-se dos seus lugares e, exibindo pistolas, ameaçaram, agrediram e roubaram os telemóveis e o dinheiro aos estudantes. O pânico instalou-se no autocarro. Enquanto a maioria dos jovens gritava para que o motorista parasse a viatura e os deixasse sair, outros pediam que se dirigisse para a esquadra para que os agressores fossem presos.

Desesperado, o motorista acabou por parar o autocarro alguns metros depois. Completamente transtornados, dois jovens desataram a correr para fora da viatura mas acabaram por ser perseguidos pelos agressores. Uma rapariga, com cerca de 20 anos, acabou por não conseguir escapar. Foi atirada para o chão e espancada. Depois dos assaltantes fugirem, o motorista seguiu com o autocarro para a esquadra da PSP da Foz onde alguns jovens apresentaram queixa.

Pedro Azevedo, um dos universitários que seguia ontem no autocarro, não esquece os minutos de terror que viveu. Operado à cara há pouco mais de três meses, o estudante de Medicina estava demasiado transtornado para falar.

"Ele não consegue esquecer o que se passou, foi horrível. Estava toda a gente aos gritos, desesperada. De repente agarraram-no por trás, apertaram-lhe o pescoço e começaram a dar-lhe socos", contou ao CM o pai do jovem. Enquanto Pedro era agredido, uma amiga que seguia ao seu lado suplicava aos agressores para pararem, mas em vão. O jovem foi assistido no Hospital de Santo António.

"FORAM EXPULSOS DA ESQUADRA DA POLÍCIA AOS GRITOS"

Aterrados com o que tinha acabado de acontecer, os mais de cem estudantes entraram na esquadra da PSP da Foz para relatar o que se passou. No entanto, os jovens queixam-se de terem sido mal recebidos pelos agentes.

"O meu filho está revoltado com a polícia. Foram expulsos da esquadra aos gritos. Não quiseram saber se eles estavam bem, deram--lhes apenas uma folha branca para assinar, nada mais", afirmou Miguel Azevedo, pai de um dos universitários que precisou de receber tratamento hospitalar.

PORMENORES

BAIRRO DO LAGARTEIRO

Durante o assalto os agressores acabaram por deixar escapar que residiam no bairro do Lagarteiro, no Porto.

AUTOCARROS ESPECIAIS

O autocarro em que seguiam os mais de cem jovens destina-se exclusivamente ao transporte de estudantes durante a Queima.

SEM DOCUMENTOS

Para além de ficarem sem dinheiro, vários jovens ficaram sem documentos.

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