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Correio da Manhã

Portugal
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GRUPO FAZ RAZIA NA LINHA

As contas de Manuel Amaral são fáceis de fazer. Sabendo o que tinha na ourivesaria, basta subtrair o que resta agora para lá do vidro partido. O resultado – em ouro, prata e relógios – é tudo o que os assaltantes levaram na noite de sábado para domingo.
19 de Outubro de 2004 às 00:00
Mas o roubo na ourivesaria foi apenas mais uma escala na viagem de três indivíduos que, ao volante de um carro cinzento, espalharam medo e prejuízos, em igual valor, na Linha de Cascais.
Os relatos de quem se cruzou com o trio ajudam na caracterização: jovens, violentos e armados com uma caçadeira. Foi assim que se apresentaram, na Parede, às 03h40 de domingo. O Fiat Uno que conduziam tinha sido furtado em Caparide e ficou à beira da estrada, depois de ameaçarem uma mulher e lhe roubarem o carro.
Era um Volkswagen Golf, cinzento, e menos de uma hora depois estava parado nas imediações do Centro Comercial Mirasol, na Parede, fechado e deserto. A porta de entrada cedeu pelo vidro. Uma vez no interior, os assaltantes seguiram em frente até à ourivesaria de Manuel Amaral.
O vidro da montra caiu às 04h20. “Foi uma fornecedora, que mora aqui perto, que me telefonou”, conta ao CM o proprietário da ourivesaria. O bloco de linhas está no balcão, os números alinhados a caneta azul. “Levaram ouro, prata, relógios. Ainda estou a fazer as contas, mas devem ter levado mais de 100 mil euros”, conta Manuel, enquanto abana a cabeça e solta o último desabafo. “Isto não dá. É uma tristeza. Eles não fazem seguros...”
Seguindo pela Marginal, com o mar à direita, os três do Golf cinzento voltaram à atacar às 05h30. Desta vez, foi uma roulotte de comes e bebes junto às bombas de gasolina e à lavagem de carros de Oeiras. O ‘Elefante’, apesar de ser ‘Azul’, não conta o que viu e não foi incomodado. Mas três homens que estavam ali perto não tiveram tanta sorte. Os assaltantes ameaçaram-nos com a arma e fugiram com três telemóveis.
Foi preciso esperar quase um dia inteiro para que o trio voltasse a dar sinal – desta vez na Galiza, perto de S. João do Estoril. “Vi-o lá fora, de caçadeira na mão. Depois, engatou a arma e entrou por aí dentro”, conta António, conhecido por ‘Toni’, proprietário do café ‘Licadel’.
Faltava pouco para as 23h00, o rescaldo do Benfica-Porto prendia a atenção dos quatro clientes. “Pediram os telemóveis de toda a gente, mas acabaram por levar só o dinheiro da caixa”, diz Toni. Voaram 400 euros e ficou um grande susto. Os três homens continuam à solta.
NOITE DE ASSALTOS
MEDO DA CAÇADEIRA
A simples visão da arma assusta e esse medo joga a favor dos assaltantes. No último crime conhecido, o do café, os indivíduos actuaram encapuzados e, na hora da fuga, usaram a arma para ameaçar o condutor de um carro que se aproximou e que teve de recuar pela rua de sentido único.
TROCAR DE CARRO
Os três indivíduos começaram a noite num Fiat Uno furtado em Caparide, mas decidiram roubar o Golf na Parede. A condutora do veículo foi vítima de coacção física e obrigada a entregar as chaves. Ficou a ver o seu carro partir ao lado do Uno abandonado.
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