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Correio da Manhã

Portugal
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Guarda retirada à mãe

A presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJR) de Lagoa desconhecia o caso dos gémeos de 18 meses maltratados pela técnica de contas de Parchal, Lagoa. Ontem de manhã, o pai dos menores, gestor, saiu de casa com os filhos na sequência da decisão do Tribunal de Silves que lhe entregou a guarda das duas crianças.
12 de Novembro de 2005 às 00:00
Os irmãos, um menino e uma menina, ficavam todo o dia com a mãe, que os trancava no carro, na garagem, durante várias horas, para poder descansar. O tribunal proibiu agora a mãe de ficar sozinha com os gémeos – a família ainda vive toda na mesma casa –, que passam a estar à guarda do pai.
A presidente da CPCJR, Carla Silva, organismo que começou ontem a ouvir pessoas ligadas à família dos menores, disse ao CM não ter recebido qualquer denúncia do caso. A responsável referiu que a CPCJR só sinalizou os alegados maus-tratos quando a GNR actuou, detendo a mulher em flagrante na quinta-feira. “Era necessário uma denúncia clara com indicação da morada, o que não aconteceu”, justificou.
De acordo com Carla Silva, o processo já deu entrada no Tribunal de Família e Menores, que poderá decidir o acompanhamento das duas crianças pela Comissão. A responsável refere que actualmente estão em curso 80 processos por maus-tratos a menores no concelho.
SILÊNCIO EM CASA
Ontem, o CM tentou interpelar a mãe das duas crianças, o que não foi possível porque, apesar de várias insistências e das janelas se encontrarem abertas, ninguém abriu a porta no rés-do-chão da Rua S. João, onde vive a família. Vizinhos revelaram que o pai dos gémeos saiu, pela manhã, levando consigo os menores. A detenção da mulher, a quem foi aplicada a coacção de termo de identidade e residência pelo Tribunal de Silves, é considerada “exagerada” por alguns vizinhos: “As autoridades deviam de ter avisado a mãe de que o que fazia não era correcto, para a assustar. Se depois a situação continuasse é que aplicavam uma medida de coacção”, considerou ao CM uma comerciante da zona, que não se quis identificar. “Não tenho nada que dizer da senhora, fala-nos bem quando passa na rua”, referiu outra moradora que lamenta a má imagem que o caso incute à pequena localidade de Lagoa. “Infelizmente, esta freguesia passou a ser falada pelas piores razões”, lamentam os residentes.
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