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Correio da Manhã

Portugal
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GUARDAS TEMEM CONTÁGIO

O risco de contágio pelo vírus de imunodeficiência humana (VIH) que ameaça dois militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), atacados quinta-feira à noite por um duo de assaltantes seropositivos, poderá ser mínimo, sobretudo no que se refere à vítima ferida à dentada. A garantia foi dada ao CM pelo investigador Fernando Ventura, ex-presidente da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida.
8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Na GNR de Quarteira reina a tranquilidade. O agente atacado conta com o apoio do efectivo
Na GNR de Quarteira reina a tranquilidade. O agente atacado conta com o apoio do efectivo FOTO: Mira
De acordo com o especialista, o risco de transmissão do vírus através de uma dentada é considerado mínimo, excepto nos casos em que o agressor tem sangue na boca e este entra em contacto com o da vítima. No que diz respeito ao guarda atingido com uma agulha alegadamente infectada com o vírus da sida, o risco fica condicionado a diversas variáveis, entre as quais a eventual presença de partículas sanguíneas no interior da seringa e a compressão do respectivo êmbolo no momento da picada. O investigador salienta ainda a necessidade de apurar a eventual conexão da agulha com a seringa no momento da picada e a sua utilização recente pelo portador do VIH, enquanto factores determinantes para avaliação do risco de contágio:
“A atitude a tomar em ambos os casos é no entanto uma atitude por excesso, ou seja, dando maior atenção à possibilidade de transmissão e fazer a profilaxia pós-exposição, com terapêutica anti-rectrovírica durante um mês”, aconselha Fernando Ventura, que refere ainda o facto de o vírus presente em sangue seco deixar de ser activo ao fim de algumas horas.
APREENSÃO
Um quadro eventualmente tranquilizador para os dois guardas atacados na Quinta do Romão, em Quarteira, por dois assaltantes alegadamente seropositivos que resistiram com violência à detenção com ameaças de contaminação do vírus.
Como o CM noticiou na edição de ontem, no confronto físico entre militares e assaltantes um dos guardas foi atacado à dentada e outro picado com uma seringa alegadamente contaminada com o VIH. Na sequência das agressões, os dois militares foram sujeitos a exames para despistagem da doença, cujos resultados só deverão ser conhecidos no próximo mês.
Dois dias após a agressão, no quartel da GNR de Quarteira o ambiente é de tranquilidade aparente, mas um olhar mais atento permite adivinhar o esforço de alguns militares para ajudar a “manter elevada a moral” do agente agredido, refugiado agora no silêncio imposto por “ordens superiores”. Visível, apesar de impedido de se pronunciar sobre o sucedido, é a apreensão desenhada no rosto do militar.
“Gerou-se um clima de ajuda entre os colegas e a instituição já se disponibilizou para proporcionar apoio psicológico, caso seja necessário”, revelou ao CM fonte policial.
POPULAÇÃO COM MEDO DE NOVAS AGRESSÕES
“UMA PRÁTICA DESUMANA” (Mário Gonçalves, 61 anos)
“Estas situações trazem sempre alguma preocupação porque julgamos estar a viver num sítio onde estas coisas não acontecem com a frequência com que ocorrem numa grande cidade como Lisboa. Eu e a minha mulher somos reformados e decidimos vir para cá, atraídos pelo clima e pelo sossego, mas este caso provoca-nos alguma preocupação, sobretudo se pensarmos que a GNR aqui é bastante eficaz. Lamento profundamente que sejam vítimas destas situações perfeitamente desumanas.”
"SINTO-ME INSEGURA" (Patrícia Gourgel, 25 anos)
“É difícil acreditar que tenham usado uma seringa para se defenderem, independentemente de estar ou não contaminada, pois trata-se de uma arma branca. Acho que Quarteira está cada vez mais a ser palco deste tipo de situações o que nos obriga a redobrar os cuidados quando andamos na rua. Sinto-me insegura sobretudo à noite, por isso quando saio, evito percorrer grandes distâncias a pé pois nunca sabemos quando é que o azar nos vai bater à porta. Como já fui assaltada, tenho muito receio.”
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