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Correio da Manhã

Portugal
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GUARDAVA ARSENAL EM CASA

Agentes da PSP da Brandoa, Amadora, detiveram anteontem um homem de 60 anos, alegado responsável pelo contínuo abuso sexual de uma jovem de 19 anos, que garante ter começado a ser violentada com apenas nove. Ao suspeito, residente no Barreiro, foi apreendido um verdadeiro arsenal e um conjunto de fotografias de crianças seminuas.
23 de Março de 2003 às 00:30
Do arsenal apreendido ao indivíduo fazia parte uma espingarda automática G3
Do arsenal apreendido ao indivíduo fazia parte uma espingarda automática G3 FOTO: Tiago Sousa Dias
A atenção dos responsáveis policiais da esquadra da PSP da Brandoa começou a voltar-se para este caso há cerca de duas semanas. Nessa altura, uma jovem residente em Alfornelos resolveu deslocar-se àquele recinto policial, com o intuito de denunciar o ‘terror’ que garante ter vivido, desde os nove anos, às mãos de um homem de 60.

“Nesse dia explicou a forma como esse indivíduo começou a abusar sexualmente dela quando tinha apenas nove anos, aproveitando-se do facto de conhecer os pais”, referiu ao CM uma fonte policial.

A queixa foi anotada e a Polícia iniciou um processo de investigação. No entanto, a “verdadeira dimensão” de todo este caso só acabou por surgir durante a tarde de sexta-feira. A jovem resolveu voltar à esquadra da Brandoa, garantindo desta vez que o sexagenário tinha acabado de ameaçar o namorado com uma arma de fogo.

Encetando então uma operação de vigilância às acções do suspeito, os agentes da PSP da Brandoa vieram a detectá-lo na zona do Bairro Novo, em Alfornelos. No entanto, a reacção do alegado pedófilo veio a revelar-se inesperada, colocando-se em fuga num Citroën.

Obrigados a dar início a uma perseguição automóvel, os agentes da autoridade recuperaram contacto com o sujeito na zona do Jardim de Carnide, em Lisboa, o que o levou a encetar uma fuga a pé. Perseguido pelos agentes envolvidos na operação, o indivíduo, vendo-se cercado, lançou mão ao bolso de dentro do casaco, o que levou os polícias a efectuar um disparo de shot-gun para o ar, com o intuito de prevenir “eventuais surpresas”.

“Perante este cenário, ele apercebeu-se que já não tinha possibilidades de fuga, e retirou mesmo uma pistola de 9 milímetros, calibre proibido, do bolso do casaco, que atirou para o solo. Foi então possível proceder à sua detenção”, acrescentou a mesma fonte. Levado para a esquadra da Brandoa, apurou-se que o indivíduo já tinha estado detido por três vezes, em 1968, 1972 e 1977, cumprindo penas por furto qualificado e roubo. O suspeito mantinha residência no Barreiro, aonde se deslocou com a Polícia, para ser efectuada uma busca.

Na casa foi descoberto um autêntico arsenal: uma espingarda automática G3 calibre 7.62, uma caçadeira de 12 milímetros, 120 munições para G3, 48 cartuchos para a caçadeira, 90 munições calibre nove milímetros, 86 munições calibre 38, um revólver calibre 38, três carregadores para a G3, dois coldres próprios para pistola, uma soqueira, duas granadas de sopro, um tubo adaptado para silenciador, um gorro negro e um par de luvas.

A Polícia descobriu ainda uma série de 28 fotografias de crianças, de ambos os sexos, em poses de seminudez.

VIZINHOS DESCONHECIAM

Na tarde de ontem, os moradores da Rua da Unidade, no Barreiro, mantinham-se no desconhecimento em relação às actividades do alegado pedófilo ali residente. Segundo o nosso jornal apurou no local e junto de outras fontes ligadas ao processo, o indivíduo detido pela PSP da Brandoa no Jardim de Carnide, em Lisboa, fixou-se naquela artéria barreirense há apenas um ano, não lhe sendo conhecida qualquer profissão.

Apesar de ir dormir àquela cidade da margem Sul do Tejo, o sujeito passava grande parte do seu tempo na zona de Alfornelos e Brandoa, onde mantinha um “indefinido círculo de amigos”. No entanto, junto à sua residência, pouco ou nenhum era o conhecimento sobre a vida do alegado pedófilo. Vizinha do sexagenário, Ana Mafalda contou ao nosso jornal que, desde que o homem se mudou para o prédio, poucas vezes com ele falou. “Não sabia muito sobre a vida dele”, referiu. No entanto, garantiu que, frequentes vezes, viu uma jovem, com cerca de 20 anos, deslocar-se à casa do indivíduo. “Muitas vezes só se ouviam gritos vindos daquela casa. Tive oportunidade de escutar muitas discussões”, referiu.
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