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Correio da Manhã

Portugal
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“Guerra aos símbolos religiosos é um sinal preocupante”

O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, afirmou este domingo, em Lisboa, numa conferência sobre escola e educação, que "a guerra aos símbolos religiosos é, hoje, na Europa, um sinal preocupante".

24 de Janeiro de 2010 às 12:56
D. José Policarpo
D. José Policarpo FOTO: Jorge Paula

O prelado falava na Universidade Católica Portuguesa, na conferência intitulada "A Escola tem Futuro?", iniciativa inserida no Fórum "Pensar  a Escola. Preparar o Futuro".

Na intervenção sobre escola e educação, D. José Policarpo sustentou, citado pela agência Lusa, que, "se o Estado é laico, a sociedade não o é", acrescentando que se tem  assistido, "nos últimos tempos, a correntes de pensamento numa dupla direcção".        

"Estender a laicidade do Estado a toda a sociedade e a todas as instituições do Estado ao serviço da comunidade, entre as quais sobressai a escola; e o fazer derivar a justa laicidade para um laicismo, qual nova religião, que combate qualquer presença ou influência da religião na sociedade", apontou o dignitário da Igreja Católica.         

Para o patriarca, esta última "é uma nova forma de hegemonia totalitária que se disfarça com as vestes da democracia". Em sua opinião, "a escola, como instituição ao serviço da educação não pode ser laica, neste sentido, como não pode ser um espaço sagrado, na acepção religiosa do termo".          

Em Novembro do ano passado, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em Estrasburgo, considerou a exibição de crucifixos nas salas de aula uma violação da liberdade religiosa dos alunos, na sequência de uma queixa de  uma mãe que pediu a retirada dos crucifixos de uma escola pública italiana onde os filhos estudavam.

"A escola, qualquer escola digna desse nome, não pode deixar de dar lugar, no projecto educativo, à dimensão religiosa, profundamente presente na tradição cultural portuguesa", defendeu o cardeal patriarca.          

D. José da Cruz Policarpo advogou ainda que a escola, "embora sendo do Estado, tem de ter autonomia real de projecto educativo".         

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