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Correio da Manhã

Portugal
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Guerra de crucifixos é “preocupante”

O Cardeal-patriarca de Lisboa defendeu ontem, num fórum sobre educação na Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, que a escola, "como instituição ao serviço da educação, não pode ser laica". D. José Policarpo considerou que "a guerra aos símbolos religiosos é hoje, na Europa, um sinal preocupante".
25 de Janeiro de 2010 às 00:30
D. José Policarpo pediu respeito pela pluralidade de ideias
D. José Policarpo pediu respeito pela pluralidade de ideias FOTO: Natália Ferraz

O Patriarca acrescentou que "qualquer escola digna desse nome não pode deixar de dar lugar, no projecto educativo, à dimensão religiosa, profundamente presente na tradição cultural". "A escola tem de ter autonomia real do projecto educativo", acrescentou. D. José Policarpo defendeu que o "projecto educativo" surge do diálogo entre professores, família e a comunidade mais alargada, em que a Igreja "não pode ficar ausente".

Na sua intervenção no fórum ‘Pensar a Escola. Preparar o Futuro’, D. José Policarpo lançou um apelo aos professores: "Não tenham medo de comunicar a perspectiva cristã." Na celebração da eucaristia na UCP, o Cardeal lembrou que o desafio da educação "passa por conseguir a unidade no respeito pela pluralidade". Um respeito que o Patriarca teme não ser cumprido perante a guerra aos símbolos religiosos. Sexta-feira, o juiz italiano Luigi Tosti, que recusa realizar julgamentos em tribunais com crucifixos, foi afastado pelo Conselho Superior da Magistratura italiano. Numa outra acção, em Novembro, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos con-denou o Estado italiano a pagar cinco mil euros a Soile Lautsi, após esta ter apresentado uma queixa por a escola frequentada pelos filhos recusar retirar os crucifixos.

PAIS CHAMADOS

No encontro na UCP, o ex-ministro da Educação e actual administrador da Gulbenkian, Marçal Grilo, afirmou "haver necessidade de maior participação dos pais" no combate ao insucesso escolar. O acordo entre tutela e sindicatos de professores "dará maior serenidade às escolas".

APONTAMENTOS

ESPANHA PROÍBE

Numa sentença inédita, um juiz de Valladolid ordenou, em Novembro de 2008, o fim de crucifixos da escola Macias Picavea.

ESCOLAS DECIDEM

Em Portugal os crucifixos são retirados das escolas se houver pedido nesse sentido.

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