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Correio da Manhã

Portugal
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GUERRA NA AJUDA MÉDICA

Um grupo de profissionais de saúde do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de Coimbra enviou ontem ao Ministério Público uma queixa contra a delegada regional daquele organismo, por “recusa de activação” do helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros (SNB) estacionado em Santa Comba Dão para socorrer um doente.
12 de Abril de 2003 às 00:02
Em causa está a utilização do Helicóptero do SNB estacionado em Santa Comba Dão
Em causa está a utilização do Helicóptero do SNB estacionado em Santa Comba Dão FOTO: Direitos Reservados
É a segunda queixa apresentada contra Alice Luzio, por alegadamente não autorizar a utilização do helicóptero do SNB para socorrer doentes críticos que precisam de ser transferidos entre hospitais. A primeira queixa data de 16 de Dezembro e deu origem a um inquérito ainda a decorrer.
Ambas as queixas são assinadas por um “grupo de profissionais de saúde do INEM de Coimbra” não identificados, por recearem “prejuízos para a actividade profissional”.
O presidente do INEM disse ao CM que pediu as gravações dos telefonemas e mandou abrir um processo de averiguações para apuramento de responsabilidades, porque “não se pode permitir a suspeição, isso seria um descrédito para a estrutura. Quero perceber o que se passou”, afirmou Luís Cunha Ribeiro.
O caso que deu origem a esta nova queixa ocorreu em 24 de Março, com uma doente com 130 quilos de peso que precisava de ser transferida do Hospital de Aveiro para o de Castelo Branco para ser operada e beneficiaria do transporte por helicóptero.
O cirurgião de serviço em Aveiro, Ângelo Figueiredo, accionou o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM do Porto, que aceitou o pedido, só que teriam de esperar, pois o helicóptero estava ocupado noutra missão. Quando a aeronave ficou disponível, tinha anoitecido e não podia realizar o transporte.
Em alternativa, foi contactado o CODU do INEM de Coimbra e pedida autorização para accionar o helicóptero do SNB estacionado em Santa Comba Dão, que opera apenas a partir das 20 horas, o que não veio a concretizar-se.
De acordo com a queixa, a delegada do INEM de Coimbra recusou a “activação” daquele “meio de socorro”, mas o cirurgião de Aveiro que fez o contacto disse ao CM que “essa negação não aconteceu”, porque “não existe nenhum pedido depois das 20 horas”. Nessa altura foi providenciado o transporte por ambulância.
O cirurgião considera que a queixa “não faz sentido”, porque o contacto para Coimbra foi feito “fora do horário de activação” do helicóptero.
OS CASOS
PARAGEM CARDÍACA
O caso que deu origem à primeira queixa ocorreu na Guarda, em Dezembro, com uma doente de 31 anos que sofreu uma paragem cardio-respiratória e precisava de ser assistida nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Depois de esperar cinco horas pelo transporte aéreo seguiu de ambulância e demorou duas horas na viagem.
INFECÇÃO
O caso que ocorreu em Aveiro, envolveu uma doente que requeria uma cirurgia – laparotomia exploradora – para averiguar o motivo de uma infecção, que seria feita no Hospital de Castelo Branco. Após quatro horas de espera pelo helicóptero, que levaria 35 minutos a fazer a viagem, seguiu de ambulância, demorando três horas.
HELIPORTO
Se os heliportos dos hospitais tivessem outras condições que permitissem a operação dos helicópteros do INEM também de noite, esta situação não se colocaria, disse o médico Ângelo Figueiredo, do Hospital de Aveiro, alertando para o problema.
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