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Correio da Manhã

Portugal
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Gulbenkian apoia mães adolescentes

Joana tinha 16 anos quando engravidou. Decidiu ter o bebé e foi seguida na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), ao abrigo do programa-piloto ‘Mais Vale Prevenir’, iniciado em 2004 numa parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian. Ricardo, o seu namorado, salienta: “No início ficámos desorientados, mas quisemos este filho.”
14 de Março de 2008 às 00:30
Depois de o Pedro nascer, Joana continuou a ser seguida. “Tenho tido imenso apoio de toda a equipa e da assistente social”, revelou a mãe adolescente, agora com 17 anos, ao CM.
Para Jorge Branco, director da MAC e presidente da Comissão de Saúde Neo-Materna, este projecto permite “a reintegração das jovens na escola, na família, no trabalho e, sobretudo, com elas próprias”.
Com uma equipa multidisciplinar, o programa aposta no planeamento familiar e apoia as adolescentes que chegam à MAC com um filho no ventre. “Nós acompanhamos as jovens o tempo que elas entenderem”, acrescentou Jorge Branco.
A MAC realiza cerca de 120 partos de mães adolescentes por ano. “A consulta para as jovens começou em 1989”, lembra ao CM Dória Nóbrega, criadora da consulta específica.
A Fundação Gulbenkian subsidiou o projecto de acompanhamento com 150 mil euros e quer apoiar outras maternidades.
DANIEL SAMPAIO CRITICA ATRASO NAS ESCOLAS
O psiquiatra e especialista em adolescentes Daniel Sampaio criticou ontem, durante a apresentação do programa ‘Mais Vale Prevenir’, os atrasos na aplicação da proposta que coordenou sobre Educação Sexual nas escolas, aprovada em Setembro pelo Ministério de Educação (ME). “Não percebo porque é que o ME ainda não andou para a frente quando está tudo pronto”, disse, recordando que estão previstas oito sessões anuais para alunos entre o 5.º e o 12.º ano.
A proposta inclui também sessões sobre temas como alimentação e exercício físico, álcool e drogas e a saúde mental.
“A gravidez na adolescência é muito importante. Precisamos urgentemente de Educação Sexual nas escolas e podíamos ir mais à frente”, acrescentou.
Confrontado com o motivo para algumas adolescentes engravidarem de propósito, o psiquiatra disse que “nas jovens com várias dificuldades uma gravidez pode ser algo positivo, pois simboliza o reencontro com a família”.
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