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Correio da Manhã

Portugal
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"Há alarmismo com drones sem motivo"

Presidente da APANT apela a melhor legislação e mais fiscalização para evitar novos casos em aeroportos.
João Carlos Rodrigues 10 de Julho de 2017 às 10:18
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Gonçalo Antunes Matias
Os drones já ocupam um espaço relevante nos céus de todo o mundo e Portugal não é exceção. Mas a repetição de incidentes junto a aeroportos – 14 casos este ano – está a denegrir a imagem dos utilizadores. O presidente da Associação Portuguesa de Aeronaves Não Tripuladas APANT) contraria os mitos sobre estes aparelhos e avisa que vieram para criar empregos e riqueza.

CM – O que é mais perigoso para a aviação civil: pássaros ou drones?
Gonçalo Antunes Matias – De acordo com os dados da FAA (Agência Aeronáutica dos EUA), têm aumentado as colisões com pássaros. São casos que acontecem todos os dias. Por outro lado, desde que os drones apareceram, há registo de cinco impactos em todo o mundo – três sem consequências, um que provocou danos estruturais e outro, há 20 anos, que causou a queda de um motoplanador. Em Portugal, dos 14 avistamentos registados este ano, só em dois houve manobra de evasão e foi ligeira em ambos. Há alarmismo sem haver motivo.

– A utilização de drones representa um risco?
– Como qualquer outra atividade humana... Todos os dias há acidentes de automóvel, que causam mortos e feridos, porque alguém não cumpriu as regras. Com os drones terá de haver uma uniformização da legislação europeia e mais capacidade de fiscalização.

– A lei portuguesa não é suficiente?
– O regulamento da Autoridade Nacional de Aviação Civil em vigor separa drones dos aviões pela altitude. Os aviões não voam abaixo dos 150 metros, por isso os drones foram limitados aos 120 metros. Se isso for cumprido não há problema. Mas é preciso harmonizar as leis europeias e falta desenvolvimento tecnológico como o ‘geofencing’ ou o registo eletrónico.

– É possível um dia vermos o céu cheio de drones a operar em segurança?
– Sim. A utilização segura é uma prioridade de todos e este é um setor com impacto positivo, que vai gerar empregos e riqueza. As aplicações são infinitas e não devemos deixar que o alarmismo ofusque o seu potencial.

PERFIL 
Gonçalo Antunes Matias
piloto da TAP desde 2011, tem 30 anos e é licenciado em Ciências Aeronáuticas.
Natural de Alcobaça, tem dedicado os últimos anos à integração dos drones na aviação civil, tendo fundado a Associação Portuguesa de Aeronaves Não Tripuladas em 2016, da qual é o atual presidente. Foi formador de pilotos na GestAir e em 2009 ficou em 2º lugar na Volta Aérea a Portugal.
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