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HÁ CADA VEZ MAIS CREMAÇÕES

Em Portugal, a cremação está a ganhar cada vez mais terreno à inumação, o tradicional enterro, devendo este ano os três fornos crematórios existentes em Portugal (dois em Lisboa e um no Porto) proceder à cremação de cerca de 2500 cadáveres. Um crescimento de cerca de 25 por cento em relação ao ano passado.

09 de outubro de 2004 às 00:00

Apesar de representarem menos de dois por cento dos funerais (cerca de 106 mil por ano), as cremações têm vindo a crescer de forma continuada nos últimos anos.

Atendendo a que, além dos cadáveres, são feitas cerca de 1600 cremações de ossadas, os três fornos crematórios começam a revelar-se insuficientes, já que cada um só faz quatro cremações por dia. A instalação de um forno no novo cemitério de Guimarães (ver caixa) resolverá parte do problema.

Para as autarquias, esta é a melhor solução, já que, na sua quase totalidade, consideram a cremação a opção fúnebre do futuro, dado os preços incomportáveis associados à construção de cemitérios.

A própria Igreja Católica aceita, em termos canónicos, a cremação, embora considere que “é nas questões ligadas à morte que a evolução é mais lenta e problemática”.

De resto, a cremação é realizada, na maioria dos casos, a pedido do próprio falecido. Só muito raramente são os familiares a optar pela alternativa à inumação.

GUIMARÃES TEM NOVO CEMITÉRIO

A cidade de Guimarães conta, a partir do próximo dia 23, com um novo cemitério. Trata-se de uma infra-estrutura moderna, com uma área superior a 35 mil metros quadrados, no lugar de Monchique (encosta da Penha) e que vem resolver o problema da saturação dos cemitérios existentes no perímetro urbano. D

emorou quatro anos a construir e custou à autarquia cerca de quatro milhões de euros. Com mais de 2200 lugares, metade dos quais sepulturas individuais (560 em jazigos e 430 em gavetões), este cemitério tem espaço preparado para a instalação de um forno crematório, embora isso só venha a concretizar-se mais tarde.

É que um forno crematório custa mais de 250 mil euros e, dado o número de pedidos ser para já pouco significativo, a autarquia optou por aguardar mais algum tempo.

De resto, o novo cemitério conta também com um espaço ajardinado, uma avenida ladeada de ciprestes e uma capela mortuária. A inauguração vai contar com a presença do arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.

POUCO MAIS CARO

Ao contrário do que possa pensar-se, a cremação não fica muito mais cara do que o tradicional funeral por inumação. Aliás, até pode ficar mais barato. É que o preço dos funerais, em Portugal, varia entre os 800 e os 4000 euros, sendo que, o preço mais praticado ronda os 1100 euros. Para efectuar a cremação, que implica uma taxa de 30 a 40 euros e o transporte, são precisos apenas mais cerca de 150 euros.

CEMITÉRIOS LOTADOS

A cremação é vista como uma óptima saída para a lotação dos cemitérios. É que dos mais de cinco mil existentes em Portugal mais de metade está a rebentar pelas costuras. O problema, dizem as autarquias, não reside no número de inumações, mas na compra de campas e jazidos, que duplicou nos últimos dez anos.

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