Em Portugal, a cremação está a ganhar cada vez mais terreno à inumação, o tradicional enterro, devendo este ano os três fornos crematórios existentes em Portugal (dois em Lisboa e um no Porto) proceder à cremação de cerca de 2500 cadáveres. Um crescimento de cerca de 25 por cento em relação ao ano passado.
Apesar de representarem menos de dois por cento dos funerais (cerca de 106 mil por ano), as cremações têm vindo a crescer de forma continuada nos últimos anos.
Atendendo a que, além dos cadáveres, são feitas cerca de 1600 cremações de ossadas, os três fornos crematórios começam a revelar-se insuficientes, já que cada um só faz quatro cremações por dia. A instalação de um forno no novo cemitério de Guimarães (ver caixa) resolverá parte do problema.
Para as autarquias, esta é a melhor solução, já que, na sua quase totalidade, consideram a cremação a opção fúnebre do futuro, dado os preços incomportáveis associados à construção de cemitérios.
A própria Igreja Católica aceita, em termos canónicos, a cremação, embora considere que “é nas questões ligadas à morte que a evolução é mais lenta e problemática”.
De resto, a cremação é realizada, na maioria dos casos, a pedido do próprio falecido. Só muito raramente são os familiares a optar pela alternativa à inumação.
GUIMARÃES TEM NOVO CEMITÉRIO
A cidade de Guimarães conta, a partir do próximo dia 23, com um novo cemitério. Trata-se de uma infra-estrutura moderna, com uma área superior a 35 mil metros quadrados, no lugar de Monchique (encosta da Penha) e que vem resolver o problema da saturação dos cemitérios existentes no perímetro urbano. D
emorou quatro anos a construir e custou à autarquia cerca de quatro milhões de euros. Com mais de 2200 lugares, metade dos quais sepulturas individuais (560 em jazigos e 430 em gavetões), este cemitério tem espaço preparado para a instalação de um forno crematório, embora isso só venha a concretizar-se mais tarde.
É que um forno crematório custa mais de 250 mil euros e, dado o número de pedidos ser para já pouco significativo, a autarquia optou por aguardar mais algum tempo.
De resto, o novo cemitério conta também com um espaço ajardinado, uma avenida ladeada de ciprestes e uma capela mortuária. A inauguração vai contar com a presença do arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.
POUCO MAIS CARO
Ao contrário do que possa pensar-se, a cremação não fica muito mais cara do que o tradicional funeral por inumação. Aliás, até pode ficar mais barato. É que o preço dos funerais, em Portugal, varia entre os 800 e os 4000 euros, sendo que, o preço mais praticado ronda os 1100 euros. Para efectuar a cremação, que implica uma taxa de 30 a 40 euros e o transporte, são precisos apenas mais cerca de 150 euros.
CEMITÉRIOS LOTADOS
A cremação é vista como uma óptima saída para a lotação dos cemitérios. É que dos mais de cinco mil existentes em Portugal mais de metade está a rebentar pelas costuras. O problema, dizem as autarquias, não reside no número de inumações, mas na compra de campas e jazidos, que duplicou nos últimos dez anos.
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