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Correio da Manhã

Portugal
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HÁ EMOÇÕES FORTES

Abílio Monteiro, psicoterapeuta, está radicado em França, mas vem a Portugal falar sobre “Os Perigos nas nossas Emoções”. Diz que o medo, a cólera, a tristeza e a alegria, quando não exprimidos, provocam problemas orgânicos
13 de Maio de 2003 às 00:00
Correio da Manhã – Que perigos se escondem por trás das nossas emoções?
Abílio Monteiro – Está provado cientificamente que há emoções benéficas e emoções perigosas para o equilíbrio psico-corporal. As nossas emoções foram muito traficadas pelo nosso sistema educativo. Fomos condicionados desde pequeninos. Recomendações como ‘isso não se faz’ , ‘isso não se diz’ ou ‘um homem não chora’ bloqueiam as nossas reacções, impedindo-nos de exprimir a nossa revolta. Se o seu patrão a chatear e for para casa com o ‘stress’ acumulado, vai dar uma bofetada no seu filho, que por sua vez vai dar um pontapé no cão. O cão vai fazer chichi em cima de uma flor e ela vai murchar e cair. É uma cadeia de reacções e uma má gestão emocional.
– Quais as emoções que considera mais recalcadas?
– O medo, a tristeza, a cólera e a alegria. Quando não são exprimidas causam desgaste psico-somático, energético e emocional afectando órgãos essenciais como o coração, os pulmões ou o estômago. Esta fragilização provoca problemas cardíacos, úlceras, insónias e problemas sexuais, entre outros. O prazer, a serenidade, a esperança, aceleram a produção das hormonas do bem-estar. A angústia, a frustração, os ciúmes, a raiva, quando não são exprimidas, fazem aumentar as hormonas do ‘stress’.
– Que tipo de maleita provoca o medo?
– O medo é uma reacção ao perigo. uma reacção natural perante algo desconhecido. Quando não é exprimido provoca ansiedade e desequilíbrios ferindo os rins.
– E a cólera?
– É uma reacção a uma injustiça ou a uma frustração da vida. A cólera é uma forma de expressão que nos vai permitir protestar. A manifestação da cólera são os gritos e quando não é devidamente exprimida vai atingir o fígado e o estômago provocando úlceras, dores nas costas, diarreia ou gastrenterites.
– Que órgão afecta a tristeza?
- A tristeza manifesta-se com a falta de alguma coisa, um desgosto, a perca de alguém. Fere os pulmões e provoca fadiga. Se essa tristeza se prolongar por seis ou sete meses torna-se crónico e então estamos perante uma depressão.
– Finalmente, a alegria...
– Está ligada ao prazer. A função da alegria é estimular a vida, a harmonia de viver. Mas quando há muita alegria, cria impaciência e fere o coração.
– Quando é que nasce uma emoção?
É muito complicado. Nasce quando o seu director berra consigo. Quando nos calamos ou engolimos a nossa revolta, provocamos uma estagnação emocional. As emoções têm uma função essencial de nos protegerem, mas têm de estar na medida exacta.
– Como se desbloqueiam esses recalcamentos?
– Estou a criar uma nova terapia (de grupo) com uma abordagem integrativa tridimensional e onde utilizo técnicas especiais. As sessões são nocturnas e duram duas horas e meia. As pessoas - um grupo de 25 - entram numa espécie de jogo de emoções onde são convidadas e exprimirem os seus sentimentos. Escolhem um parceiro e tratam-no como se fosse a fonte dos seus problemas. Podem gritar a noite toda se quiserem, porque a sala é insonorizada. É uma espécie de arena da verdade, onde as pessoas tiram a máscara social.
- Tem dado resultados?
- Claro que sim.
PERRFIL
Abílio Manuel Monteiro está radicado em França há quase 30 anos, metade dos quais em Paris. É psicólogo clínico, psicoterapeuta e supervisiona instituições educativas.
O regresso a casa está no seu horizonte, esperando concretizá-lo dentro de dois anos.
Mas já este mês vem de visita, participando num ‘workshop’.
O especialista vai falar sobre “Os perigos nas nossas Emoções”.
A iniciativa decorre dia 24, na Sociedade Portuguesa de Naturalogia, na Rua do Alecrim, nº 38. As inscrições podem ser feitas atravésdo número de telefone 213463335 ou do telemóvel 914525808.
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