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Correio da Manhã

Portugal
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Há floresta sem postos de vigilância

Sessenta e seis de um total de 273 postos de vigia de fogos florestais estão, desde ontem, ocupados por guardas que darão o alerta a qualquer sinal de fogo. Os postos activos localizam-se, principalmente, no Interior Norte e Centro, zonas de maior risco.
16 de Maio de 2005 às 00:00
Situada em Almeirim, a torre 55.02 ergue-se 12 metros acima do solo. Estavam ainda a equipá-la quando o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Gonçalves, apareceu de surpresa.
Nem de propósito, foi detectado, na ocasião, o início de um incêndio. Rui Gonçalves aproveitou a coincidência para sublinhar a necessidade de antecipar a época de combate aos fogos florestais, justificada pela seca extrema.
Segundo informação da Direcção-Geral de Florestas, 28 por cento dos fogos é detectada pela primeira vez através de postos de vigia. “Têm uma função muito importante no Interior do País, em zonas menos povoadas, onde não há ninguém para dar o alerta”, notou o secretário de Estado, adiantando que as demais situações de perigo são reportadas por populares através dos números de emergência 112 ou 117.
Os postos já activos funcionam apenas entre as 12h30 e as 18h30, período que corresponde a um turno de vigia, mas, a partir de 1 de Junho, quando cada uma dos 273 torres estiver ocupada, a vigilância vai processar-se durante 24 horas (três turnos).
A rede nacional de torres de vigia, que cobre a totalidade da área florestada, começou a ser implementada nos anos 60. Rui Gonçalves reconheceu a necessidade de relocalizar alguns postos que entretanto perderam utilidade.
GREVE AFECTA PREVENÇÃO NO ALGARVE
A época de fogos começou ontem com uma greve dos guardas-florestais, cerca de 500, convocada pela Federação dos Sindicatos da Função Pública, que alega falta de condições para vigiar as florestas. O secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Gonçalves, desvalorizou os efeitos da greve, garantindo ao Correio da Manhã que em apenas dois postos de vigia do Algarve os guardas não se tinham apresentado ao serviço.
Prolongada até 15 de Junho, a paralisação envolve todos os elementos do Corpo Nacional da Guarda Florestal a quem sejam dadas ordens para o exercício de tarefas nas torres de vigia em detrimento das funções de policiamento e fiscalização das florestas, caça e pesca em águas interiores. Reconhecendo que a tarefa de permanecer alerta na torre de vigia é ingrata, Rui Gonçalves afirmou tratar-se, contudo, de um “trabalho digno e muito importante”.
REDE NACIONAL
Da rede nacional de vigilância de fogos florestais fazem parte 273 postos de vigia, 66 dos quais estão
activos desde ontem. Localizam-se sobretudo no Interior Norte e Centro.
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