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Correio da Manhã

Portugal
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HÁ QUE AJUDÁ-LA A REFAZER A SUA VIDA

É pai de duas meninas, gémeas, com seis anos, a idade de Felisbela, que continua internada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com uma bala alojada no cérebro. Também já ‘brincou’ com armas, até porque no Brasil, país onde nasceu, “as crianças só não se entretêm com pistolas se não quiserem”, lembra.
27 de Abril de 2003 às 00:00
Jonas Silva está há 12 anos em Portugal. Já fez de tudo um pouco. “Hoje vendo casas”, diz ao Correio da Manhã. Contribuiu para Timor, depositando dinheiro numa conta bancária e, anteontem, procurou os pais de Felisbela disponibilizando-se para oferecer uma mobília de quarto nova para a menina.
“Chamou-me a atenção o apelo da vizinha [Fátima] e perguntei: ‘Porque não ajudá-la a refazer a sua vida.’ Soube onde estava o pai da menina e fui ao hospital. Depois fomos a casa dele. Tirei a medidas e vou oferecer a mobília”, confirma, acrescentando que o quarto de Felisbela vai ter uma cama, estantes, um guarda vestidos e uma televisão pequena. “É para ela poder estar bem.”
Mas, antes de receber a mobília nova, o pai da menina vai pintar o quarto com tinta branca oferecida também por Jonas Silva.
“Gosto de ajudar as pessoas e a história da Felisbela sensibilizou-me. Pus-me no lugar deles, pais: ‘E se acontecesse a uma filha minha?!’”
Jonas nasceu em Pernambuco, mas cresceu em São Paulo. Durante a infância, esclarece, ‘brincou’ com armas, tal como estariam a fazer os dois menores suspeitos de terem atingido Felisbela quando esta se encontrava no recreio do infantário, no Pendão, em Queluz.
Jonas tinha oito anos. “Nunca mais me esqueci. Peguei numa carabina do meu irmão e disparei-a com o dedo do pé. O tiro foi para cima e os galhos da árvore foram parar ao chão. Só depois é que percebi que seria um tiro mortal”, recorda.
“Mexer com armas é muito perigoso”, frisa, lembrando que Felisbela está a sofrer por causa de uma alegada brincadeira. “Eles fizeram o que fizeram e o tiro foi directo à cabeça da menina. Ela é que está internada e não sabemos como é que vai ficar.”
Jonas ainda não conhece Felisbela mas diz querer acompanhar a sua recuperação e até abrir uma conta de solidariedade para ajudar os pais nas despesas futuras.
Sem palavras está José Dias, pai de Felisbela. “É um senhor impecável. Nem sei como lhe agradecer.”
José passou o dia de ontem no hospital, com a filha sentada num sofá. “Comeu muito e esteve calma. Só agora [ao fim da tarde] ficou mais rabugenta”, confidenciou, revelando que durante a tarde realizou-lhe diversos testes à vista. “Peguei em vários objectos e perguntava-lhe o que tinha na mão. Ela respondeu sempre bem: telemóvel, moeda de cinco cêntimos, porta-moedas...”
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