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Correio da Manhã

Portugal
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Dois arguidos dos Hells Angels que se entregaram saem em liberdade com várias proibições

Elementos ficam sujeitos às medidas de coação de apresentações às autoridades e de proibição de contactar entre si.
Lusa 23 de Maio de 2019 às 17:37
Hells Angels
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Os dois arguidos que se encontravam no estrangeiro e que se entregaram na quarta-feira às autoridades, no âmbito do processo dos Hells Angels, saíram esta quinta-feira em liberdade, após primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Fonte da defesa disse à agência Lusa que os dois arguidos ficam sujeitos às medidas de coação de apresentações às autoridades e de proibição de contactar entre si e com outros elementos ligados aos Hells Angels.

Segundo a mesma fonte, os dois arguidos podem ausentar-se para o estrangeiro, uma vez que se entregaram voluntariamente e trabalham fora do país.

Como aconteceu com os 17 arguidos ouvidos na quarta-feira no Tribunal de Instrução Criminal (TIC), o Ministério Público também não pediu a prisão preventiva para estes dois elementos.

Os 17 elementos do grupo Hells Angels detidos pela Polícia Judiciária na terça-feira também saíram em liberdade após terem sido ouvidos, na quarta-feira, em primeiro interrogatório judicial no TIC.

Segundo os advogados Martins Leitão e José Carlos Cardoso, os arguidos ficam sujeitos às medidas de coação de apresentações mensais às autoridades, e de proibição de contactar entre si e com outros elementos ligados aos Hells Angels.

Ficam ainda proibidos de contactar com os ofendidos, de participarem em concentrações 'motards', de marcarem presença em espaços habitualmente frequentados por motociclistas e, igualmente, impedidos de se ausentarem do país.

o processo dos Hells Angels conta com 87 arguidos.

A PJ deteve na terça-feira 17 pessoas em vários pontos do país do grupo Hells Angels, por suspeitas de associação criminosa e outros crimes.

Nesse dia, a PJ adiantou que os detidos são homens com idades entre os 29 e os 52 anos e que a operação realizada integra o mesmo inquérito à ordem do qual se encontram, em prisão preventiva, 41 arguidos desde julho de 2018.

Na terça-feira, foram executadas dezenas de buscas domiciliárias e não domiciliárias e cumpridos mandados de detenção envolvendo a participação de 150 operacionais de várias unidades da PJ.

Em março do ano passado, cerca de 20 'motards' do grupo Hells Angels invadiram um restaurante no Prior Velho, concelho de Loures, distrito de Lisboa, para atacar o grupo 'Red&Gold', criado pelo radical de extrema-direita Mário Machado. Os dois grupos rivais entraram em confrontos dentro do estabelecimento comercial, com facas, paus, barras de ferro e outros objetos.

Este episódio de violência levou a PJ a deter os primeiros 58 elementos do grupo de motociclistas Hells Angels em Portugal (a que se somou um outro na Alemanha).

Os suspeitos estão indiciados, na sua generalidade, da prática de associação criminosa, homicídio qualificado na forma tentada, roubo, ofensas à integridade física graves, ofensas à integridade física qualificada, detenção de armas proibidas e tráfico de droga.

Em janeiro, o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa declarou a especial complexidade do processo para poder ter mais seis meses (até 18 de julho) para deduzir a acusação, dilatando assim o prazo da prisão preventiva.

O grupo Hells Angels existe em Portugal desde 2002 e, desde então, tem sido monitorizado pela polícia.

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