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Correio da Manhã

Portugal
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Hepatite ataca 450 mil

As estimativas apontam para 450 mil portugueses com hepatites B e C. Destes, cerca de 150 mil têm hepatite C (30 mil diagnosticados), doença que origina cirroses ou cancro no fígado.
30 de Maio de 2007 às 00:00
Hepatite C é responsável por muitas cirroses, cancros, e 40 por cento dos transplantes de fígado
Hepatite C é responsável por muitas cirroses, cancros, e 40 por cento dos transplantes de fígado FOTO: Epa
Segundo a Associação Mundial de Gastroenterologia, são 600 milhões os infectados com hepatites em todo o Mundo, 170 milhões dos quais com hepatite C (quase 3% da população mundial). Os números foram revelados ontem no Dia Mundial da Saúde do Aparelho Digestivo.
Em declarações ao CM, o professor José Velosa, coordenador da Unidade Técnica de Gastroenterologia do Hospital de Santa Maria e co-autor de um livro sobre a doença, explicou que, “nos países ocidentais, a hepatite C tem mais impacto na saúde pública do que as outras formas de hepatites”. Como exemplo deste impacto, o médico adianta que “cerca de 40% dos transplantes de fígado, em Portugal e nos Estados Unidos, resultam de hepatites C”.
O especialista esclarece que isto acontece porque a hepatite C “é uma doença crónica que pode evoluir durante anos sem qualquer sinal” mas que “20 a 30 por cento dos casos resultam em cirrose”. Por sua vez, e “sem tratamento, estas cirroses dão origem a cancro de fígado a um ritmo de 4% ao ano”.
Além deste impacto na saúde pública, a hepatite C representa custos adicionais, pelos internamentos, “para tratar as consequências” e pelos custos do tratamento específico.
O custo de um transplante hepático ronda os 200 mil euros, a que é preciso somar os tratamentos subsequentes (por exemplo, medicação para evitar a rejeição do fígado). Já o tratamento específico – injecção semanal de interferão pegilado e comprimidos diários de ribavirina – ultrapassa os dez mil euros anuais.
Ainda assim, José Velosa insiste numa “mensagem de esperança”, porque o novo tratamento tem um sucesso superior a 60% na erradicação total do vírus e cura da doença.
Só transmissível por via sanguínea, arriscam-se a contrair hepatite C os consumidores de drogas injectáveis, as crianças nascidas de mães portadoras (durante o parto) e as pessoas que receberam transfusões de sangue antes de 1992. Hoje a margem de risco é de um infectado em cada 100 mil transfusões.
UMA CAIXA DE PANDORA DE DOENÇAS
Em resposta ao desafio do CM para descrever a hepatite C, José Velosa, coordenador da Unidade Técnica de Gastroenterologia do Hospital de Santa Maria e autor do livro “120 Perguntas e Respostas sobre a Hepatite C” (em co-autoria com Carneiro de Moura e Rui Tato Marinho), classifica a hepatite C como “uma espécie de caixa de Pandora que, depois de diagnosticada, permite a descoberta de outras doenças, associadas ou não ao fígado”. Esta particularidade resulta de a hepatite C ser assintomática: a pessoa infectada pode permanecer anos a fio sem sinais da doença. Assim, quando se revela a enfermidade podem já ter surgido complicações como a cirrose, varizes no esófago, deficiência ou excesso de ferro e doenças do sistema imunitário.
FACTOS E FIGURAS
600 MILHÕES
O Dia Mundial da Saúde do Aparelho Digestivo é este ano dedicado aos 600 milhões com hepatites. Em Portugal, estima-se em 450 mil os doentes, 150 mil com hepatite C (só 30 mil estão diagnosticados).
ROSTOS DA DOENÇA
Doença ‘silenciosa’ pela falta de sinais ao longo de anos, a hepatite C (transmissível só por via sanguínea) flagelou figuras públicas como os músicos Zé Pedro (Xutos & Pontapés) e Jorge Palma ou a modelo Karen Matzenbacher, ex-mulher do futebolista Mário Jardel.
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