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Correio da Manhã

Portugal
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HERÓI DA CP ATRAIÇOADO POR COMBOIO

Um homem de 46 anos, pastor, residente em Abrunhosa-a-Velha, Mangualde, morreu terça-feira à tarde junto à linha férrea da Beira Alta, depois de, ao que se presume, ter sido atingido por um comboio que seguia no sentido Mangualde-Guarda.
10 de Abril de 2003 às 00:00
Manuel Silva afirma que o pai conhecia bem o local do acidente
Manuel Silva afirma que o pai conhecia bem o local do acidente FOTO: Luís Oliveira
O indivíduo foi considerado um herói pela CP por ter evitado o descarrilamento de um comboio Intercidades, onde seguiam mais de 200 pessoas, em 1994 (ver caixa).
O acidente de terça-feira terá acontecido pelas 17 horas, quando José Almeida Silva se dirigia para um campo agrícola.
Segundo informações da GNR de Mangualde, o homem, que tinha problemas de visão, ter-se-á assustado com o comboio, caído na linha e sido atingido de raspão pela composição ferroviária.
O alerta foi dado à GNR de Mangualde por um inspector da CP que seguia num outro comboio que passou no local 20 minutos depois.
Os bombeiros e uma equipa do INEM prestaram socorro à vítima, que foi transportada para o Centro de Saúde de Mangualde, mas não resistiu aos ferimentos graves que sofreu na cabeça e nas mãos.
José Silva era o único sustento da família e deixa viúva, uma mulher deficiente, e dois filhos, de 16 e 18 anos.
Manuel Silva, um dos filhos, afirmou que o pai "conhecia bem a zona" e que passou naquele sítio "milhares de vezes". “Não sei o que lhe terá acontecido”, concluiu.
EM 1994 EVITOU UMA TRAGÉDIA
José Manuel Silva foi considerado pela CP como um herói quando, no Inverno de 1994, ocorreu uma derrocada sobre a Linha da Beira Alta. O pastor, ao aperceber-se que o caminho-de-ferro estava bloqueado, correu um quilómetro ao longo da linha e fez parar, com uma camisola vermelha, um comboio Intercidades que seguia no sentido Guarda-Lisboa e transportava mais de 200 pessoas. Este feito heróico ainda é comentado na região e valeu-lhe na altura algumas mordomias por parte da CP. Recebeu uma libra de ouro, 40 contos em dinheiro e durante um ano, ele e a mulher viajaram de comboio de borla.
Mesmo assim, Fernando Martins, amigo da família, lembra que muitas das promessas da CP não terão sido concretizadas. "Foi um herói e prometeram-lhe que recuperavam o antigo apeadeiro da Abrunhosa e que lho davam para residir com a família. Isso não aconteceu”, salienta, apelando para que a CP volte a ajudar esta família desamparada: “Deixou uma mulher deficiente e dois filhos que trabalham e estudam. Era bom que fossem ajudados”.
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