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Correio da Manhã

Portugal
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HEROÍNA TRAI ATLETAS

Os gémeos Paulo e Carlos Castelbranco, 34 anos, atletas internacionais portugueses em salto em comprimento, foram ontem detidos entre Elvas e Badajoz (Espanha) por estarem na posse de 1,3 quilos de heroína. Com os irmãos encontravam-se outros dois indivíduos, cuja identidade não foi possível apurar. Os quatro ficaram em prisão preventiva.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
Este caso passou-se durante a madrugada, quando os quatro homens se deslocavam num BMW de Espanha para Portugal. Perto da fronteira do Caia, foram interceptados pela Guarda Civil espanhola e durante a fiscalização Paulo Castelbranco fugiu a pé em direcção a Elvas.
Antes da fuga, as autoridades espanholas já tinham encontrado no veículo a respectiva droga, suficiente para 15.600 doses individuais no valor de cerca de 800 mil euros, bem como uma pistola de calibre 7,65 milímetros. Esta força de segurança acabou, no entanto, por deter Carlos Castelbranco, atleta do Juventude Operário de Monte Abraão (JOMA), em Queluz, e os outros dois indivíduos, os quais estão ainda entregues às autoridades espanholas.
GUARDA E ARQUITECTO
Paulo Castelbranco, atleta do Clube Operário Desportivo dos Açores e funcionário da Direcção-Geral dos Serviços Prisionais, foi detido mais tarde em Elvas. Passavam poucos minutos das 04h30, quando dois agentes da PSP o abordaram na principal avenida da cidade.
“Ele tornou-se suspeito porque estava num local onde normalmente se registam alguns furtos em viaturas e porque os agentes não o conheciam. Como não tinha qualquer identificação foi levado para a esquadra e depois de terem sido contactadas as autoridades chegou-se à conclusão que se tratava do indivíduo em fuga”, referiu ao CM fonte da Polícia.
Presente na tarde de ontem ao Tribunal Judicial de Elvas, o atleta está no Estabelecimento Prisional de Elvas, devendo ser transferido ainda hoje para a cadeia de Santarém.
Residente no Seixal, Paulo Castelbranco chegou a ser atleta do Benfica e Sporting, clube que abandonou há cerca de três anos. Nos últimos tempos, conciliava o desporto com a profissão de guarda prisional destacado na recepção dos serviços centrais em Lisboa. Mas há seis meses entrou de baixa médica devido a uma lesão num dos joelhos.
Tal como o irmão, Carlos Castelbranco, arquitecto numa autarquia, foi também atleta dos principais clubes da capital. Deixaram, no entanto, algumas recordações amargas no Sporting, último dos dois emblemas ‘grandes’ que representaram. “Boatos de tráfico de droga nunca ouvi. Gostavam mais de andar metidos em brigas”, contou um funcionário da secção de atletismo.
O nosso jornal tentou obter uma reacção dos dirigentes do JOMA e do Operário dos Açores, clubes onde os gémeos praticam actualmente a modalidade, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.
O 2º E O 3º MELHORES DO PAÍS
Os irmãos Castelbranco (Carlos e Paulo) passaram ‘uma vida’ a saltar. Foi a disciplina de salto em comprimento que catapultou os gémeos para a ribalta desportiva nacional.
Os dois atletas internacionais, agora com 34 anos, representaram alguns dos grandes clubes nacionais, como o Sporting e Benfica e, um deles, o FC Porto. Actualmente, Paulo representa o Operário dos Açores, enquanto Carlos salta pelo JOMA.
A nível nacional, os irmãos Castelbranco, com as suas marcas, ainda são o 2.º (Carlos) e 3.º (Paulo) melhores na especialidade, apenas superados por Carlos Calado, que detém recorde nacional, com 8,36 metros. Carlos Castelbranco já saltou 8,22 m., no ‘meeting’ de Lisboa, em 1998, e em 1990 bateu o então recorde nacional, com 7,71 m.
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