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Correio da Manhã

Portugal

Homem asfixiado e queimado

Ao fim de dois meses de investigações, a brigada de homicídios da PJ de Setúbal identificou e deteve dois homens, de 18 e 26 anos, suspeitos do homicídio, por estrangulamento, de Adriano Flor Correia, de 71 anos, residente em Fanhões, Loures.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
O cadáver do idoso foi mantido numa casa durante dois dias e depois transportado para um descampado em Manteigadas, Setúbal, onde foi queimado.
Na origem do crime, segundo fonte da PJ disse ao CM, “esteve o roubo”. “A vítima e os dois indivíduos, de 18 e 26 anos, encontraram-se fortuitamente em Loures, a 5 de Julho”, disse o mesmo informador. O mais velho é toxicodependente e com cadastro por tráfico de droga. O mais jovem não tem ainda ficha policial conhecida.
“O encontro serviu para que eles se interessassem na vítima, vindo a combinar um encontro”, acrescentou a mesma fonte. A 7 de Julho, o idoso compareceu à hora marcada, na casa de um dos suspeitos, em Loures. Mal entrou foi manietado, agredido e amarrado de pés e mãos. Adriano terá então sido despojado de vários artigos em ouro, 800 euros em dinheiro e dos cartões multibanco. O idoso foi alvo de tortura para revelar os códigos dos cartões.
Para além de diversos levantamentos bancários, os indivíduos efectuaram diversas compras em nome do idoso. Falsificaram ainda a assinatura da vítima em cheques.
A PJ acredita que Adriano tenha sido morto a 9 de Julho. Foi estrangulado com o uso de um “artefacto”, possivelmente um garrote. Na madrugada do dia seguinte, o corpo foi levado até às imediações das piscinas das Manteigadas, Setúbal, onde foi regado com gasolina e incendiado. Foi descoberto pelos bombeiros.
Os assaltantes colocaram-se em fuga e ainda tiveram tempo de vender o carro de Adriano Correia. Já em campo, a PJ de Setúbal conseguiu recuperar a viatura, fundamental na identificação do cadáver. “Foram retirados vestígios de ADN do veículo”, disse o responsável.
As detenções aconteceram no passado fim-de-semana num centro comercial de Loures. Ambos os indivíduos foram presentes ao Tribunal de Setúbal e esperam julgamento em prisão preventiva.
FAMÍLIA ESPERA EXPLICAÇÃO
A reportagem do CM encontrou ontem em Fanhões, Loures, dois primos de Adriano Flor Correia. Nenhum deles se quis identificar. Mas ambos lamentam o mesmo. “Até hoje, ninguém da Polícia Judiciária ainda nos falou sobre o crime”, referiram. A vítima do crime, um aposentado, residia no rés-do-chão de um prédio de Fanhões, na companhia de um irmão mais novo. Nunca se casou e durante a sua vida profissional foi motorista de uma empresa da zona de Loures.
PORMENORES
BUSCAS
Durante o fim-de-semana, a PJ revistou a casa dos suspeitos. Foi recuperado o garrote usado no estrangulamento, e ainda diversos documentos da vítima.
FUNERAL
Só depois de conseguir identificar o cadáver carbonizado é que a PJ de Setúbal o entregou à família. O funeral de Adriano Correia ocorreu a 26 de Agosto, no cemitério de Fanhões.
ACUSAÇÕES
Homicídio qualificado, profanação e ocultação de cadáver e falsificação de documentos. É com estas acusações que os dois suspeitos irão a julgamento, em data ainda a determinar.
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