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Correio da Manhã

Portugal
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Homem sequestrado na mala do carro

Um operário da construção civil, de Frossos, Albergaria-a-Velha, pressentiu que ia ser assaltado, mas nunca suspeitou que viesse a ser sequestrado durante cerca de duas horas na bagageira de um automóvel. "Cheguei a pensar que me iam matar", recorda agora a António Laranjeira.
1 de Maio de 2008 às 00:30
A vítima percebeu que se tratava de um assalto ao ver o BMW irromper pelo portão
A vítima percebeu que se tratava de um assalto ao ver o BMW irromper pelo portão FOTO: Francisco Manuel

A vítima, de 55 anos, estava a trabalhar num armazém na Zona Industrial de Albergaria-a-Velha quando, cerca das 13h20 de anteontem, altura em que terminava o almoço, viu entrar pelo portão um BMW azul a grande velocidade. 'Percebi logo que ia ser assaltado e, por isso, atirei o telemóvel e o porta-moedas para longe', conta.

No carro vinham três homem encapuzados. Dois deles, empunhando pistolas, saíram da viatura e gritaram: 'Isto é um assalto, queremos os cheques e os cartões de multibanco!'. Logo atrás surgiu o condutor do carro, com uma caçadeira de canos sobrepostos. Ao verificarem que a vítima não tinha dinheiro consigo, disseram-lhe que a iriam levar ao banco. O operário retorquiu que era 'um pobre miserável, sem dinheiro'. Nervosos, os criminosos ordenaram-lhe que lhes desse o número do telemóvel do patrão, mas António Laranjeira não o sabia. Decidiram, todavia, levá-lo, obrigando-o a entrar na mala do carro. O pesadelo do operário terminou cerca de duas horas mais tarde quando o libertaram, no meio de uma mata, e desapareceram no carro, a grande velocidade.

DUAS HORAS 'AOS ASSALTOS'

Ao fim de duas horas 'aos saltos na mala' os sequestradores pararam finalmente o carro. '‘Vão dar-me um tiro’, pensei', contou o operário ao CM. Mas os criminosos retiraram-lhe as algemas e libertaram-no no meio de uma floresta. António Laranjeira começou então a caminhar sem rumo, até, que, mais de uma hora depois, pediu ajuda a dois madeireiros, que lhe disseram que se encontrava na freguesia de Canelas, Estarreja. Alertada, a GNR levou a vítima para o posto, onde depois foi ouvida por agentes da PJ do Porto. Ontem regressou ao trabalho, mas agora os portões encontram-se fechados, apesar de garantir que não tem medo.

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