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Correio da Manhã

Portugal
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HOMENS MAIS DISPONÍVEIS PARA CUIDAR DOS FILHOS

Os homens portugueses utilizam cada vez mais as licenças de paternidade quando nascem os filhos. Esta é uma das principais conclusões da Base de Dados sobre Géneros, que o ministro da Presidência, Morais Sarmento, apresentou ontem na sede do Instituto Nacional de Estatística, em Lisboa.
19 de Maio de 2004 às 00:00
Em 2003, 41 mil homens pediram licenças de paternidade e cada vez mais tomam conta dos filhos
Em 2003, 41 mil homens pediram licenças de paternidade e cada vez mais tomam conta dos filhos FOTO: Estrela Silva /Lusa
Segundo o INE, os beneficiários de licença de paternidade passaram de 112 em 1999, para quase 13 mil em 2000. Em 2003, último ano contemplado no estudo, o número de homens que requereu tempo para passar com os filhos recém-nascidos era já de cerca de 41 mil, o que se deve à legislação de protecção na paternidade, aprovada precisamente em 2000. Ainda assim, a diferença em relação às licenças de maternidade é enorme. Em 1999, 76 mil mulheres pediram os respectivos dias, situando-se esse número em 79 mil, no ano de 2003.
Para a presidente da Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres, Amélia Paiva,"é normal que tenha havido esse salto quantitativo, pois não havia legislação que previsse licenças de paternidade, mas importa criar outros mecanismos sociais que sensibilizem os homens".
Nos cuidados e educação dos filhos, as mães continuam a ser as mais sacrificadas. Em 1999, 54 por cento das mulheres acompanhavam os filhos na escola e nas idas ao médico, contra 46 por cento de homens. Pior ainda, 89 por cento dos elementos do sexo masculino admitia não fazer tarefas domésticas.
No mundo do trabalho e em cargos públicos, as mulheres continuam sub-representadas, embora a maioria dos estudantes no ensino superior seja do sexo feminino. Segundo Amélia Paiva, "as mulheres têm de trabalhar e fazer as tarefas domésticas e assim é muito difícil competirem com os homens no mundo laboral". Para a dirigente, "a partilha de funções deve ser mais eficaz e para isso as empresas têm de criar serviços que permitam a cooperação e a felicidade das famílias".
DESIGUALDADE EM NÚMEROS
NO PODER
Em 2003 existiam apenas oito mulheres nos órgãos do governo central, contra 46 homens. Em 2001 foram eleitas 16 mulheres autarcas, face a 292 presidentes masculinos, e o Parlamento Europeu recebeu cinco deputadas portuguesas em 1999, contra 20 deputados.
PARLAMENTO
Na Assembleia da República portuguesa, apenas 45 dos 230 deputados são do sexo feminino. O PS apresenta o maior número, com 22 mulheres para 74 homens, enquanto o PCP/PEV tem a maior percentagem de representação feminina, com quatro mulheres em 12 deputados.
EM CASA
Em 1999, único ano com dados disponíveis, 46 por cento dos pais levavam os filhos ao médico e acompanhavam-nos na escola, face a 54 por cento de mães que o faziam. No mesmo ano, 89 por cento dos homens admitia que nunca cozinhava, limpava a casa ou cuidava da roupa.
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