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Correio da Manhã

Portugal
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Homicídio de menino em tribunal

A segunda sessão do julgamento da ama e do marido acusados de homicídio qualificado de um menino de três anos que tinham à sua guarda, no Seixal, decorreu ontem no tribunal da comarca.
24 de Janeiro de 2007 às 00:00
O médico do Hospital Garcia de Orta que acompanhou os últimos dias de vida de Yuri, um menino de dois anos filho dos imigrantes brasileiros Warley Alves e Lone Noci Alves, disse em tribunal que só um “impacto muito violento” poderia ter causado tamanhas lesões. O especialista afirmou ainda, comovido, que só testemunhou lesões idênticas em vítimas de brutais desastres de viação.
O pequeno Yuri morreu em meados de Fevereiro do ano passado, no Hospital Garcia de Orta, em Almada, vítima de lesões internas graves.
Os médicos alertaram a PJ, que iniciou de imediato uma investigação “célere e discreta”, como as autoridades descreveram.
Tal como o CM então noticiou, alguns dias depois os inspectores detiveram o casal, também brasileiro, que guardava o menino quando os pais iam trabalhar.
MENINO CHORAVA
Segundo o nosso jornal conseguiu apurar, a ama, de 27 anos, e o marido, de 30, agrediram o menino porque ele não parava de chorar. Após as agressões, levaram-no ao Centro de Saúde de Corroios sem fornecer aos médicos qualquer explicação sobre o sucedido.
Os próprios pais terão pensado que o estado de saúde do menino se devia a sequelas de uma doença recente. Yuri foi então transferido para o Hospital Garcia de Orta. Operado de urgência, morreu cinco dias depois por “falência do fígado e do baço”.
Autópsia
O resultado da autópsia veio a confirmar que as graves lesões que o cadáver do pequeno Yuri apresentavam não eram compatíveis com as de uma simples queda. A criança tinha sido agredida.
Os investigadores da PJ descreveram o caso como uma “bestialidade” e selvajaria”.
O casal tinha dois filhos menores e suspeita-se que eventualmente já teria agredido o menino, que estava sob sua responsabilidade há quatro meses, sem consequências graves.
YURI TERÁ SIDO PONTAPEADO NO ABDÓMEN
A autópsia ao corpo de Yuri concluiu que ele foi vítima de “pontapés violentos direccionados à região do abdómen que provocaram a fractura de órgãos internos”.
Na sequência da investigação, a PJ afirmou que as agressões terão sido a resposta dada ao choro da criança. E, apesar de a autópsia não revelar agressões mais antigas, os investigadores suspeitaram de que esta não teria sido a primeira agressão infligida à criança. Quando a ama, de 27 anos, e o marido, de 30 – dois imigrantes brasileiros em situação legal no País – foram presentes a tribunal ficaram em prisão preventiva.
Na altura pensou-se que iriam ser acusados de ofensas à integridade física grave, mas o Ministério Público acusou-os formalmente de homicídio qualificado, apesar de um deles também responder pelo crime de ofensas à integridade física. O ca-so do pequeno Yuri aconteceu cinco meses depois da morte do pequeno Daniel, um menino de seis anos surdo-mudo, amblíope e com problema motores que sucumbiu aos abusos do padrasto.
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