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Correio da Manhã

Portugal
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Horas de desespero para marcar exame

A Clínica Geneu – centro de neurofisiologia, na Rua Viriato, em Lisboa, foi ontem palco da indignação de centenas de doentes que esperaram e desesperaram pela chegada da sua vez de atendimento debaixo de chuva. “Cheguei às 08h45 e quando tirei a senha percebi que tinha 460 pessoas à frente”, conta Nélson Figueiredo, que só regressou a casa às 11h30, com o electromiograma – exame aos músculos – marcado para Fevereiro. Até lá, resta-lhe rezar para que o estado de saúde não piore.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
“Como é possível só haver duas entidades a fazer este exame?”, questiona. A ser verdade, não vem a despropósito a dúvida: “Como é possível a clínica só fazer marcações no primeiro sábado de cada mês!?”, continua, revoltado.
Ao lado de Nélson Figueiredo estiveram cerca de 700 pessoas, muitas com centenas de quilómetros de estrada percorridos. As longas horas de espera, debaixo da carga de água que caiu durante toda a manhã, fez com que os doentes não conseguissem calar o seu desagrado. “Isto é um escândalo”, repetia António Santos. Residente em Almada, quando se apercebeu da confusão em frente à clínica deu meia volta e regressou a casa. Cerca das 16h00 tentou nova sorte. Ficou despachado em dez minutos. Duas viagens a Lisboa para conseguir marcação para Fevereiro. “O que vale é que não é grave, senão estava feito ao bife”, comenta.
O mesmo não pode dizer Armando Medeiros, que confrontado com a possibilidade de realização de exame apenas para o próximo ano optou por pagá-lo sem usufruir de comparticipação. “A diferença é que em vez de pagar zero euros pago 125”, adiantou. A recompensa? “Não chegar ao ponto de ver a minha mulher sentada numa cadeira de rodas”, afirma.
Ao longo de todo o dia ninguém da Clínica Geneu se mostrou disponível para explicar as queixas dos doentes.
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