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Correio da Manhã

Portugal
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HOSPITAIS PAGAM A PESO DE OURO

Todos os novos gestores dos 31 hospitais-empresa, nomeados segunda-feira pelo ministro da Saúde, vão ter um ordenado superior ao do próprio governante e ao dos anteriores directores das unidades de saúde, agora afastados.
19 de Dezembro de 2002 às 00:00
A comparação é simples: o ministro da Saúde recebe ao fim do mês um vencimento bruto de 4 483 euros, mais 40 por cento deste valor para despesas de representação, isto é 6 278 euros. Os 31 novos gestores têm um ordenado bruto mensal que varia entre os 6 416 e os 5 021 euros, acrescido de mais 30 por cento destes valores para despesas de representação. Ou seja, ganham no mínimo 6 527 euros e outros atingem os 8 339 euros por mês.

Segundo fonte oficial do Ministério da Saúde, o aumento dos ordenados dos presidentes dos conselhos de administração resulta da transformação dos hospitais em sociedades anónimas de capitais públicos: “Os anteriores directores dos hospitais ganhavam menos porque eram funcionários públicos. Agora, nos hospitais-empresa, os novos gestores têm contratos individuais de trabalho e são equiparados a gestores públicos”.

Por se tornarem sociedades anónimas de capitais públicos, os presidentes dos 31 hospitais passam a gestores públicos, dependendo o seu ordenado da dimensão e complexidade do estabelecimento, segundo uma tabela fixada em 1989. Certo é que nenhum dos 31 novos gestores irá receber os ordenados mais baixos daquela tabela, que variam entre os 3 656 e os 4 752 euros por mês.

DESISTÊNCIA DE ÚLTIMAHORA

Apesar de ir ganhar mais do que o próprio ministro da Saúde, o gestor escolhido para o Hospital de Setúbal, o economista Carlos Veloso, desistiu do convite no domingo passado, véspera da tomada de posse, o que deixou a unidade de saúde numa verdadeira gestão corrente.

Gestão essa que, até ser encontrado um novo gestor, será assegurada pelo médico David Martins, que nos últimos sete anos dirigiu o Hospital de Setúbal. “Sou leal à tutela e tenho ética, por isso vou assegurar o lugar até chegar o novo gestor”, diz David Martins, que ao fim de todos os meses de trabalho recebeu um ordenado bruto muito inferior aos 7 377 euros mensais, que o novo gestor tem agora à sua espera.
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