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Correio da Manhã

Portugal
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Hospitais têm Urgências a funcionar sem especialistas

Há médicos estrangeiros não especialistas a fazer partos nas Urgências de Obstetrícia de hospitais públicos, como sucede no Amadora-Sintra. Outros não fazem cirurgias no Serviço de Urgência porque não têm ortopedistas – caso do Hospital de Cascais – ou neurocirurgiões, como acontecia até há pouco no S. Francisco Xavier, em Lisboa.
17 de Janeiro de 2007 às 00:00
O Hospital Amadora-Sintra tem sete médicos estrangeiros que não são obstetras mas fazem partos
O Hospital Amadora-Sintra tem sete médicos estrangeiros que não são obstetras mas fazem partos FOTO: Tiago Sousa Dias
A somar a estes problemas, os hospitais públicos correm o risco de perder milhares de clínicos por causa de um despacho do Ministério da Saúde. Estas denúncias foram ontem feitas pela Ordem dos Médicos, um dia após a publicação no Diário da República do diploma que cria a incompatibilidade dos médicos nos cargos de direcção quando trabalham também no sector privado.
Isabel Caixeiro, do Conselho Regional do Sul (CRS) da Ordem dos Médicos, aponta o caso do Amadora-Sintra: “Naquele hospital foram contratados médicos estrangeiros que não são especialistas mas fazem partos e outras Urgências de obstetrícia. Não é muito claro o papel que têm nestas equipas e por isso queremos avaliar a situação.”
Segundo aquela responsável, trata-se de sete médicos oriundos do Brasil, de países de Leste e dos PALOP, que trabalham no Amadora-Sintra desde o Verão de 2006.
Rui Raposo, administrador do Amadora-Sintra, comenta: “Estranho a Ordem fazer essas denúncias porque tem um canal aberto para falar com a administração deste hospital. ”Fonte da administração diz que os médicos em causa aguardam “há dois anos pelo reconhecimento do Colégio da Especialidade dos sete médicos estrangeiros”.
“Cumprimos as normas da Ordem, que define uma equipa num bloco de partos com três médicos, dos quais dois devem ser especialistas. Temos sete obstetras por equipa nas Urgências obstétricas.”
Segundo João de Deus, do CRS, “no Centro Hospitalar de Cascais a administração passou a escalar um ortopedista na Urgência, inviabilizando a cirurgia”. Ao CM o administrador Carlos Gil diz que “tínhamos 22 médicos, mas dez atingiram a idade de não fazer noites. Os doentes são transferidos para os hospitais José Almeida ou Francisco Xavier quando necessário”.
MILHARES DE CLÍNICOS PODEM SAIR DO SNS
Milhares de médicos podem vir a desvincular-se do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e optar por ficar a trabalhar no privado, como consequência da publicação, na segunda-feira, do despacho do Ministério da Saúde que declara a existência de incompatibilidade entre os cargos de coordenação e direcção no privado e o exercício da medicina no público. João de Deus, do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, diz que a direcção das clínicas de hemodiálise ou medicina física e de reabilitação, entre outras áreas, é assumida por médicos. “Na contingência de ter de escolher entre o sector público e o privado, é muito provável que venham a optar pelo privado, porque na maioria são médicos que já fizeram 50 anos e têm 30 de carreira no sector público. Esta situação pode provocar o esvaziamento de médicos do SNS.”
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