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Correio da Manhã

Portugal

Hospital processado

Justiça” foi a palavra mais ouvida ontem no funeral de Virgínia Melo, a mulher que, na madrugada de sábado, foi agredida na sala de espera das urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) e morreu passadas três horas.
28 de Novembro de 2007 às 00:00
Mais de uma centena de pessoas esteve no funeral
Mais de uma centena de pessoas esteve no funeral FOTO: Luís Filipe Coito
“Vamos processar o hospital e todos os responsáveis”, afirma Acácio Melo, cunhado da vítima, revelando que “a família exige justiça” e por isso pondera a abertura de uma conta de solidariedade para pagar o advogado. “Uma pessoa mata outra numa sala do hospital e este diz que não tem nada a ver com isso?”, questiona, exigindo “o pagamento de uma indemnização e o reforço das medidas de segurança” na sala de espera dos HUC.
Virgínia Melo tinha 45 anos e trabalhava como doméstica em várias casas. Era “o sustento” do marido e do filho mais novo, o mágico Telmo Melo, de 18 anos.
“Não tivemos apoio nenhum, nem emocional, nem financeiro. Vão fazer um inquérito interno, mas isso não nos chega”, diz Acácio Melo, garantindo que “a família vai viver da caridade dos outros.” O marido da vítima vai para a Suíça, onde a filha mais velha já está há seis anos, e Telmo fica em Portugal, em casa de familiares. “Fiquei sem mãe de repente e agora o que é que vou fazer?”, pergunta o jovem. O rapaz sustenta que a morte “foi uma consequência da agressão e alguém tem de pagar pelas falhas na segurança.”
“No hospital, disseram-nos que o agressor – como outros – tem o hábito de dormir naquela sala que é pública e não podem impedir ninguém de lá entrar. Como é que isto pode acontecer?”, interroga Acácio Melo, acrescentando que os vigilantes da unidade de saúde “não podem agir, apenas chamar a Polícia.” “Se não tivermos uma resposta rápida, arranjamos uns colchões e vamos nós dormir para o hospital”, admite o familiar da falecida.
GESTO QUE NOS ENVERGONHA
No funeral, que saiu da igreja de Nossa Senhora de Lurdes para o cemitério da Conchada, o padre Luís Ribeiro referiu que Virgínia Melo foi “vítima de um gesto que nos envergonha” e lembrou que a “criminalidade, sobretudo a violenta, tem crescido muito em Portugal.”
“A solução talvez não esteja no castigo e na repressão, mas na família, na escola, na Igreja e na sociedade”, disse o pároco, na cerimónia participada por mais de uma centena de pessoas.
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