Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

GNR suspenso por oito meses

Hugo Ernano matou jovem em perseguição policial
10 de Março de 2016 às 17:02
O militar da GNR, Hugo Ernano
O militar da GNR, Hugo Ernano FOTO: João Santos
Hugo Ernano, militar da GNR que matou um jovem numa perseguição policial após um assalto, em Loures, foi suspenso na sequência de um processo disciplinar interno.

O militar, de 36 anos, viu ser-lhe aplicada uma suspensão agravada pelo período de 240 dias. Durante os oito meses irá receber um terço do salário.

Hugo Ernano afirmou que ficou "estupefacto" quando recebeu o despacho do MAI, que o obriga a estar suspenso de funções durante 240 dias (oito meses), período durante o qual passa a receber apenas um terço do vencimento, segundo a legislação aplicada nestes casos.

"Dizer que me sinto revoltado é muito brando. Quero ver o que vou fazer com a minha vida, pois tenho família, mulher e dois filhos", lamentou o militar da GNR, que se encontra de baixa médica por mais um mês, acreditando que deverá começar a cumprir a suspensão a partir de maio.

Hugo Ernano acrescentou que, até hoje, ninguém lhe disse "onde é que falhou" na sua atuação enquanto militar da GNR.

Outro processo em 2013
Hugo Ernano já havia enfrentado um processo-crime, em 2013, que o condenou a quatro anos de pena suspensa e ao pagamento de uma indemnização de 55 mil euros.

O militar da GNR foi condenado, em outubro de 2013, pelo Tribunal Criminal de Loures a nove anos de prisão por homicídio simples, com dolo eventual, e ao pagamento de uma indemnização de 80 mil euros à família do menor, tendo a defesa do arguido interposto recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa (TRL).

A 26 de junho de 2014, o TRL absolveu o arguido do crime de homicídio simples, com dolo eventual, mas condenou-o a uma pena de quatro anos de prisão por homicídio simples por negligência grosseira, suspensa na sua execução por igual período. Além disso, reduziu a indemnização de 80 mil para 45 mil euros a pagar à família da vítima: 35 mil euros à mãe e 10 mil euros ao pai.

Em dezembro de 2014, o Supremo Tribunal de Justiça manteve a pena suspensa de quatro anos e aumentou a indemnização de 45.000 para 55.000 euros a pagar à família da vítima.

Os factos remontam a 11 de agosto de 2008, quando o jovem de 13 anos foi atingido a tiro pelo arguido durante uma perseguição policial a uma carrinha após o assalto a uma vacaria, em Santo Antão do Tojal, concelho de Loures. Além do menor, seguiam na carrinha dois homens, um deles o pai da criança, que estava evadido do Centro Prisional de Alcoentre, e que foi condenado a dois anos e dez meses de prisão efetiva pelos crimes de resistência e desobediência, prestação de falsas declarações e de coação sobre funcionários.
GNR Loures suspensão crime lei e justiça
Ver comentários