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Correio da Manhã

Portugal
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“Iam para trabalhar e caíram no inferno”

Foram aliciados com um "bom ordenado, com direito a alojamento e comida", mas quando chegaram à quinta agrícola, em Logroño, Espanha, os operários depararam com um inferno: trabalhavam de sol a sol sem nada receber, alimentavam-se mal e dormiam em condições miseráveis. A Polícia Judiciária da Guarda remeteu o processo ao Ministério Público e acusa dois homens, de 33 e 48 anos – genro e sogro –, de sequestro, tráfico de pessoas e escravatura.
16 de Março de 2010 às 00:30
Dois homens, genro e sogro, estão acusados de terem escravizado três pessoas numa quinta em Logroño
Dois homens, genro e sogro, estão acusados de terem escravizado três pessoas numa quinta em Logroño FOTO: Correio da Manhã

Segundo o que o CM apurou, a PJ apenas identificou três pessoas que terão sido escravizadas pelos dois homens, mas suspeita da existência de mais vítimas. As investigações iniciaram-se em Agosto de 2009, após a denúncia de um homem, de 27 anos, que teria sido levado contra a sua vontade para trabalhar numa quinta agrícola de Logroño, na capital da província de La Rioja, em Espanha.

Após algum trabalho de campo e informações recolhidas junto das autoridades espanholas, a PJ conseguiu localizar os dois suspeitos e aperceber-se das "condições infra-humanas" a que os operários portugueses estiveram sujeitos. "Os três trabalharam na apanha da fruta durante quatro meses e não receberam. Comiam mal e dormiam em barracões ou numa carrinha abandonada na quinta. Caíram num inferno", descreveu ao CM fonte policial. Além disso ficaram sem documentos e eram ameaçados no caso de tentativa de fuga.

Após várias tentativas falhadas, as vítimas – o jovem da Guarda e um casal de Mangualde – conseguiram fugir e apresentaram queixa às autoridades.

Nos últimos seis meses, a PJ concluiu a investigação de três casos de escravatura em Espanha. O mais grave foi o de oito operários que durante dois anos trabalharam sem nada receber e de noite eram acorrentados. "Fui para sair da pobreza e encontrei uma vida de animal. Espancaram-me várias vezes porque quis fugir", contou ao CM uma das vítimas.

PORMENORES

Suspeitos à solta

Os dois suspeitos aguardam julgamento em liberdade, com termo de identidade e residência.

64 libertados

Em Novembro último, a Guardia Civil de Navarra soltou 64 portugueses que foram escravizados por 10 cidadãos lusos.

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