Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

IDA À COMPRAS ENCOBRIA ABUSOS

A menina de treze anos que esta semana denunciou à Polícia Judiciária de Leiria que o pai a violou, já teria vindo a sofrer abusos sexuais desde há quatro anos, pouco depois do progenitor ter saído da cadeia para cumprir uma condenação pela prática de actos semelhantes com outras três filhas menores.
4 de Julho de 2004 às 00:00
O mais recente caso veio a público após diligências desenvolvidas nos últimos meses pela escola que a jovem frequenta, nas Caldas da Rainha, onde uma professora se apercebeu da situação, por conversas que ela tinha sobre sexo, e relatou o caso à Assistência Social e às autoridades judiciais e policiais.
Duas das irmãs da alegada vítima, que também sofreram as mesmas sevícias, contaram ontem ao CM que o pai, que não vivia com a família, “levava frequentemente a menina ao supermercado e ausentava-se por alguns momentos”. Teria sido nessas alturas que consumaria o abuso sexual.
“Avisámos tanto a nossa mãe para ter cuidado, para não deixar a menina sozinha com o pai, porque ele podia fazer o mesmo que fez com as outras filhas”, contaram.
O homem, de 48 anos, assalariado agrícola, residente em Óbidos, aguarda julgamento em prisão preventiva e a menina vive agora com as irmãs mais velhas.
O CM tentou falar com a mãe da rapariga na sua habitação, no Bairro das Morenas, Caldas da Rainha, mas um dos filhos impediu esse contacto, dizendo que a irmã “inventou a história da violação porque o pai rejeitou-lhe a compra de um vestido da moda que custava dez contos”, uma versão que não recolhe credibilidade entre outros familiares.
VÍTIMAS FALAM DO PASSADO
A primeira filha a denunciar que o pai a violava fugiu de casa aos 14 anos, quando se fartou de “quase cinco anos de abusos e de ameaças”. Hoje com 25 anos, recorda que decidiu sair da alçada do progenitor quando a mãe foi grávida para o hospital e o pai voltou a abusar dela. E quando contou à mãe, esta não acreditou e bateu-lhe. Foi então que resolveu fazer queixa à Polícia, o que levou à condenação do indivíduo, que cumpriu dois anos de cadeia, saindo em liberdade com pena suspensa. Outra filha alegadamente abusada pelo indivíduo, agora com 27 anos, quando era menor foi assediada pelo pai, mas sustentou sempre que conseguiu escapar-lhe das garras. A terceira filha molestada, de 24 anos, confirmou ao CM que “fui abusada quatro vezes”, revelando que o pai lhe punha “a mão na boca” e mandava-a “despir a roupa”, o que aconteceu a partir dos 10 anos, em casa e no meio de pinhais.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)