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Correio da Manhã

Portugal
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Idosa morta à martelada

Cabe à brigada de homicídios da PJ de Setúbal descobrir passo a passo o que se passou na tarde de quarta-feira, 11 de Abril, dentro de um apartamento da Rua José Ladislau Sousa, no Montijo. A única certeza é que, no interior do imóvel, foi encontrada uma idosa assassinada a golpes de martelo na cabeça. A vítima era a mulher a dias do dono da casa e terá sido assassinada por homens que queriam roubar o patrão.
21 de Abril de 2007 às 00:00
Idosa morta à martelada
Idosa morta à martelada FOTO: Ilustração de Ricardo Cabral
Maria das Dores Machado Ferreira, de 73 anos, era solteira. Vivia sozinha, num dos extremos da cidade do Montijo, e pouca família se lhe conhecia.
Com parcos rendimentos, a idosa deslocava-se, todas as quartas-feiras, a casa de António Marcelino, um conhecido comerciante do Montijo, e antigo pescador. “Ela passava a ferro em casa desse senhor”, disse ao CM um morador da zona.
A rotina de Maria das Dores cumpriu-se, mais uma vez, na tarde de quarta-feira, 11 de Abril. A idosa chegou à Rua Ladislau Sousa entre as 14h30 e as 15h00 e, como habitual, subiu ao 1.º andar do prédio n.º 61, onde vivem António Marcelino e a esposa.
Por esta altura, segundo fonte policial disse ao CM, já se teriam introduzido no apartamento os suspeitos do crime.
“O único testemunho recolhido, de um morador da zona, refere que pouco depois das 14h00, entraram no prédio três ou quatro homens, nunca antes vistos na zona. Desconhece-se, para já, como eles entraram no apartamento”, acrescentou o informador.
O grupo seria, ao que pensam as autoridades policiais, conhecedor da rotina de António Marcelino, o dono da casa. Todos os dias, o comerciante volta ao apartamento, depois de almoço, para descansar um pouco. Seria este o cenário esperado pelos indivíduos, interessados “no dinheiro que António Marcelino costuma habitualmente transportar”.
No entanto, em vez do comerciante, os assaltantes depararam-se com a empregada. A PJ de Setúbal acredita que a morte de Maria das Dores tenha derivado da surpresa com que foi recebida.
“Não há, para já, provas de que tenha havido qualquer confronto físico entre os assaltantes e a vítima”, referiu outra fonte.
Maria das Dores foi assassinada na cozinha. Um dos elementos do grupo de ladrões desferiu vários golpes com um martelo na cabeça da vítima, que tombou inanimada. Não foi possível apurar se, antes de fugir, os assaltantes conseguiram roubar algo. António Marcelino chegou pouco depois, e deparou-se com a empregada, já morta, na cozinha.
Uma equipa do INEM transportou o corpo de Maria das Dores para a morgue. A PSP do Montijo tomou conta da ocorrência, e entregou a investigação à PJ de Setúbal.
INVESTIGADORES FECHAM RUA
A tarde de quarta-feira, 11 de Abril, foi de grande alvoroço na Rua José Ladislau Sousa, no Montijo. António Marcelino, dono da casa onde ocorreu o crime, e patrão de Maria das Dores, foi o primeiro a aperceber-se do crime. O alerta foi dado de imediato, e fez acorrer à rua um grande aparato policial. “A curiosidade que se gerou levou a PSP a encerrar a rua ao trânsito, impedindo a passagem de civis”, disse ao CM um morador da zona.
A proibição de passagem de transeuntes estendeu-se durante cerca de duas horas. Ao longo de todo este tempo, a brigada de homicídios da Polícia Judiciária de Setúbal pôde, livremente, recolher todos os vestígios necessários à investigação. “Foi não só analisado o interior do apartamento, como também a entrada no prédio”, explicou uma fonte policial.
DISPARO FERE BRASILEIRA
Uma imigrante brasileira ficou ferida no pescoço e num braço, depois de ter sido atingida com um disparo de caçadeira, na noite de quarta-feira, em Santo Estevão, Benavente. O suspeito do disparo integra um grupo de três indivíduos detidos pela GNR. Os factos remontam ao final da noite de quarta-feira. “Os três suspeitos estavam a fazer ‘rally’ com um carro, e foram repreendidos por alguns imigrantes brasileiros”, disse ao CM fonte policial. Irritados, os três indivíduos, todos de 17 anos, tiraram a muleta a uma jovem moradora da zona, e usaram-na para agredir um dos brasileiros.
A vítima fugiu, e refugiou-se na casa de um amigo. Os três jovens perseguiram-no e, já na posse de uma espingarda caçadeira, efectuaram pelo menos cinco disparos contra a casa. O indivíduo brasileiro conseguiu escapar pelas traseiras da moradia, mas o mesmo não aconteceu com uma sua compatriota, que foi atingida com chumbadas. A GNR deteve os três suspeitos, que aguardam agora julgamento em liberdade.
SAIBA MAIS
236 é o número de homicídios consumados investigados pela Polícia Judiciária em 2006, segundo um relatório recentemente divulgado. Já nos homicídios tentados, foram 266 os processos investigados.
20,5% é a percenta-gem do aumento de homicídios de 2005 para o ano passado, de acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna.
HÓSPEDE
No passado dia 8 de Fevereiro, Laura Silva, de 69 anos, foi encontrada morta em casa, na Amadora. Um homem de 40 anos, seu hóspede, foi detido pelo crime.
LADRÃO
A 1 de Novembro de 2006 uma mulher de 84 anos foi estrangulada na sua residência, em Castelo Branco, por um ladrão.
MARIDO
A 22 de Julho de 2005, uma mulher de 68 anos foi assassinada pelo próprio marido, com um tiro de caçadeira, na casa do casal, no Cacém.
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